Freeport: Sócrates garante não conhecer promotores do empreendimento e repudia "difamações" 
23.01.2009 - 22:59 Por Lusa
O primeiro-ministro garantiu hoje que não conhece pessoalmente nenhum dos promotores do "Freeport", avisando que o contrário constitui um "insulto" e uma difamação", e considerou que as notícias do jornal “Sol” merecem "indignação" e "repúdio".
Numa nota a que a Lusa teve acesso, José Sócrates diz que "houve, de facto, uma reunião alargada, no Ministério do Ambiente, que contou com a presença de várias pessoas", entre as quais ele próprio, o secretário de Estado do Ambiente e responsáveis de diversos serviços do Ministério, a Câmara Municipal de Alcochete e os promotores do empreendimento Freeport".
"Essa reunião teve lugar a solicitação da Câmara Municipal de Alcochete. Admito, embora não recorde esse facto, que também o meu tio, Júlio Monteiro, me tenha pedido para receber os promotores de modo a esclarecer a posição do Ministério do Ambiente sobre o projecto. Essa reunião consistiu, apenas e exclusivamente, na apresentação por parte dos promotores da intenção de reformular o projecto e no esclarecimento pelos serviços do Ministério do Ambiente das condições ambientais que deviam ser cumpridas, em conformidade com a última declaração de impacte ambiental", garante o primeiro-ministro.
José Sócrates frisa ainda nunca ter participado "em nenhum encontro ou reunião, para além desta, com promotores do projecto Freeport ou seus representantes".
"Quero também afirmar que não conheço pessoalmente nenhum deles. Tudo o que possa ter sido dito a esse respeito constitui uma mentira, um insulto e uma difamação", diz no comunicado.
De acordo com o primeiro-ministro, "a declaração de impacte ambiental favorável ao empreendimento Freeport foi emitida pelo [então] secretário de Estado do Ambiente, tendo em conta as alterações introduzidas no projecto e o cumprimento das exigências ambientais formuladas pelos serviços técnicos do Ministério do Ambiente, sem qualquer interferência da minha parte".
"Reafirmo, assim, que a aprovação ambiental do empreendimento Freeport cumpriu todas as regras legais aplicáveis à época e rejeito todas as insinuações e afirmações caluniosas que envolvem o meu nome a propósito deste caso. Reafirmo, mais uma vez, o meu desejo de que a investigação em curso se conclua tão rapidamente quanto possível", acrescenta José Sócrates.
O primeiro-ministro reagiu assim a notícia da TVI, citando semanário Sol, segundo o qual será ele o ministro de António Guterres "implicado no pagamento de luvas em troca do licenciamento do Freeport".
O jornal transcreve um DVD que fará parte de uma investigação fiscal desencadeada em Inglaterra sobre o Freeport, no qual um administrador da empresa (que gravou a conversa) pede contas sobre avultadas somas transferidas em pequenas tranches para Portugal (cerca de um milhão de euros).
O intermediário do negócio em Portugal, Charles Smith, terá respondido que o dinheiro se referia a "um longo historial de pagamentos corruptos", nomeadamente para satisfazer um acordo estabelecido "em 2002", numa reunião na qual alega ter estado também "Sócrates".
Ainda na edição de amanhã do “Sol”, avança a TVI, Júlio Monteiro, tio de José Sócrates, reconhece em entrevista ter feito a ponte entre o sobrinho, na altura ministro do Ambiente, e Charles Smith, sócio da consultora contratada para conseguir o licenciamento do Freeport.
Na entrevista, hoje avançada no Jornal da Noite da TVI, Júlio Monteiro assume ter proporcionado o encontro entre Charles Smith e José Sócrates.
Segundo o tio do actual primeiro-ministro, Charles Smith queixou-se de lhe estarem a pedir "quatro milhões de contos" (20 milhões de euros) em troca do licenciamento do Freeport, pelo que, achando que isso não podia ser verdade, encaminhou-o para um encontro com o sobrinho, José Sócrates.
Segundo o tio de Sócrates, Sócrates terá acedido a este encontro, que se terá realizado.
Charles Smith "conseguiu a audiência através de mim", disse Júlio Monteiro, que garante ser "mentira" ter recebido dinheiro por ter feito a ponte entre o sócio da consultora Smith & Pedro, contratada para garantir o licenciamento do Freeport, em Alcochete, e o actual primeiro-ministro.

