França: Jovem com doença rara suicida-se após lhe ter sido negado o suicídio assistido por um médico

13.08.2008 - 18:40 Por AFP
Um jovem francês de 23 anos, vítima de uma doença genética rara que o deixou incapacitado, suicidou-se após ter escrito ao Presidente Nicolas Sarkozy pedindo a alteração da lei francesa que proíbe os médicos de participarem no suicídio assistido, a pedido do doente.
Rémy Salvat sofria desde os seis anos de uma mitocondriopatia, uma família de doenças genéticas raras que afecta as mitocôndrias, o motor energético das células, e que provoca a degeneração gradual dos órgãos, atacando, em primeiro lugar o sistema neurológico e muscular do paciente.
Na carta ao Presidente, enviada em Maio, Rémy descrevia como sofria com a doença, que se encontrava já num estado muito avançado, e que desejava morrer em casa, em Valmondois, nos arredores de Paris, da maneira mais doce possível, recorrendo ao suicídio assistido por um médico. “Estou proibido de morrer e de me libertar do meu sofrimento. Sei que em França os médicos são proibidos de praticar a eutanásia. Isso impede-me de viver em paz. É preciso alterar a lei. Peço-vos para que deixe de lado as suas convicções pessoais e que deixe de ser surdo aos apelos”, dizia na carta.
Na semana passada, a seis de Agosto, Rémy recebeu a resposta assinada por Sarkozy: “Por razões filosóficas pessoais, acredito que não nos assiste o direito de interromper voluntariamente a vida. Mas não vou fugir às minhas responsabilidades. Privilegiarei o diálogo entre os doentes os médicos e as famílias de modo a que se encontre uma resposta adaptada a cada caso.”
Numa mensagem gravada em som, Rémy pediu aos pais para que continuem a luta que iniciou pela eutanásia e pede para que seja lançado o debate público sobre o direito à eutanásia e ao suicídio assistido, disse à AFP a mãe do rapaz, Régine Salvat.
Em França, a lei indica, desde 2005, que os doentes tenham o direito a pedir a interrupção de tratamentos médicos e que seja assim permitido que morram, mas proíbe os médicos de praticarem a eutanásia activa.

