Os profissionais das forças e serviços de segurança que se manifestaram hoje em Lisboa ameaçaram endurecer as formas de luta se o Governo não satisfizer as suas reivindicações, tendo chegado a gritar "greve, greve".
A "manifestação histórica", como foi classificada pelos organizadores, começou às 17h30 na Praça dos Restauradores, rumou para a Praça do Comércio e seguiu depois para a Assembleia da República, onde terminou às 21h30.
O protesto foi convocado pela Comissão Coordenadora Permanente (CCP) dos Sindicatos e Associações dos Profissionais das Forças e Serviços de Segurança contra "a diminuição de regalias".
A manifestação reuniu "mais de dez mil" profissionais das forças e serviços de segurança, segundo os sindicalistas, enquanto um oficial da PSP que acompanhou a segurança e a vigilância do desfile estimou o número de manifestantes "à volta de cinco mil".
"Manifestação histórica"
"O certo é que esta manifestação é histórica em termos de participação de profissionais das forças de segurança", afirmou à Lusa José Manageiro, presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG), uma das cinco organizações que integram a CCP.
No final do protesto, os manifestantes aprovaram uma moção dirigida à Assembleia da República, em que expressam "profunda preocupação pelo conjunto de medidas do Governo, com destaque para o congelamento da progressão nas carreiras, escalões e subsídios, aumento do tempo de serviço para efeito de reforma, alterações do sistema de aposentação e pré-aposentação e o fim dos subsistemas de saúde" na PSP e GNR.
No âmbito de um pacote de medidas para tentar diminuir o défice orçamental público, o Executivo socialista anunciou a equiparação dos subsistemas de saúde da GNR e PSP à ADSE (Assistência na Doença aos Servidores do Estado) e a aposentação dos profissionais das corporações policiais aos 60 anos de idade, em vez dos actuais 55 anos.
"São medidas que atentam gravemente contra os direitos dos profissionais de polícia, esquecendo o Governo a especificidade e o risco da função policial", disse à Lusa José Manageiro.
Na moção, "os cidadãos-polícias" presentes na manifestação exigem do Governo "o respeito integral pelos seus direitos adquiridos" e apelam à Assembleia da República para que garanta "os direitos que, legal e legitimamente, foram conferidos às polícias e seus profissionais".
"Profissionais das forças de segurança inovarão formas de protesto"
O coordenador da CCP e presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), Alberto Torres, no discurso que proferiu junto à Assembleia da República, avisou: "Se o Governo teimar em impor as medidas que anunciou, os profissionais das forças de segurança inovarão formas de protesto".
Essas palavras mereceram uma viva ovação de aprovação dos manifestantes, tendo muitos deles gritado "greve, greve" e "não às multas".
Alberto Torres salvaguardou que os profissionais "respeitarão sempre a legalidade democrática, cumprindo as funções na prevenção e combate à criminalidade e não descurando a segurança dos cidadãos". "Quanto ao resto, haverá uma pausa daqui para a frente", acrescentou.
Os deputados António Filipe, do PCP, Ana Drago, do BE, e Nuno Magalhães, do CDS-PP, desceram a escadaria da Assembleia da República para trocarem algumas impressões com os promotores da manifestação.
"Sócrates presta atenção, não mexas na aposentação"
"Sócrates escuta, os polícias estão em luta", "Com tanta incúria, os polícias estão na penúria", "Os polícias unidos jamais serão vencidos", "Sócrates presta atenção, não mexas na aposentação" e "A luta continua" foram as principais palavras de ordem gritadas pelos manifestantes.
No entanto, os manifestantes - todos à civil e alguns ostentando as suas carteiras profissionais - gritaram palavras mais duras dirigidas ao primeiro-ministro, acusando José Sócrates de ser "mentiroso" e "aldrabão".


