O ex-presidente da Câmara do Marco de Canaveses, Avelino Ferreira Torres, disse hoje, em declarações à Lusa, nunca ter comandado "um esquema de distribuição de diplomas falsos".
O alegado esquema foi denunciado ontem, no Brasil, por José Faria, a testemunha-chave no processo contra Ferreira Torres que decorre no Tribunal do Marco de Canaveses. Em declarações proferidas antes de embarcar, em São Paulo, num voo de regresso a Portugal, José Faria afirmou que há funcionários da Câmara do Marco que "nunca atravessaram o Atlântico, nunca vieram ao Brasil e mesmo assim têm cursos em escolas brasileiras". "São pessoas que eram funcionárias dele [Ferreira Torres], o mentor desses diplomas, e que usaram esses cursos apenas para subir de categoria na câmara", afirmou José Faria.
"Não sei absolutamente nada acerca disso [diplomas]. Isso é novo para mim", assegurou Avelino Ferreira Torres, considerando que as denúncias do seu ex-colaborador fazem parte de "uma estratégia que tem já a ver com as eleições do próximo ano". Segundo o ex-presidente da Câmara de Marco de Canaveses, que nas últimas autárquicas se candidatou à presidência da Câmara de Amarante, apoiado pelo movimento "Amar Amarante", "alguém lhe anda [a José Faria] a pagar para ele dar essas entrevistas". "Esta sucessão de entrevistas tem a ver com uns cartazes que o movimento 'Amar Amarante', colocou há dias na cidade de Amarante a denunciar o negócio da Tabopan", afirmou.
O movimento "Amar Amarante" defende que deveria ter sido a autarquia local a adquirir a massa falida da ex-Tabopan (que faliu na década de 80) em vez de permitir que o seu património fosse parar às mãos de um grupo privado. As antigas instalações fabris de aglomerados de madeira foram, há alguns anos, adquiridas por uma empresa do grupo Mota Engil, em associação com as câmaras de Amarante e Vila Pouca de Aguiar. Esta sociedade deu origem ao parque empresarial - Parques do EDT - liderado pela Mota Engil. As duas câmaras municipais têm, cada uma, cinco por cento de capital.
José Faria a caminho de Portugal
José Faria, que chega hoje a Madrid seguindo depois para Portugal, está convocado como testemunha-chave para confirmar a tese do MP de que funcionou como testa de ferro nos negócios, alegadamente ilícitos, do ex-presidente da Câmara do Marco de Canaveses. Ferreira Torres é acusado pelo Ministério Público (MP) de seis crimes de corrupção, extorsão, abuso de poder e peculato.
Aquele que é considerado a a testemunha-chave do processo, embarcou às 22h30 horas em São Paulo (02h30 de hoje em Lisboa), num voo da companhia Varig, com destino a Madrid. "Contarei tudo o que sei. Chega, basta desse género de políticos no nosso país", disse aos jornalistas, em declarações no aeroporto. Antes de embarcar, José Faria despediu-se do seu primo, o advogado José Manuel Pereira Mendes, que o acolheu durante os 16 dias em que permaneceu no Brasil.
A testemunha não soube dizer qual será o seu destino quando aterrar na capital espanhola - se seguirá numa escolta policial para Marco de Canaveses ou se regressará a Portugal sozinho. O seu depoimento deverá ser prestado, na próxima quarta-feira, no Tribunal do Marco de Canaveses.


