Ex-autarca do Marco de Canaveses nega envolvimento com testemunha

Ferreira Torres afirma em tribunal que José Faria negociava no imobiliário por conta própria

30.04.2008 - 19:13 Por Lusa

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Ferreira Torres que está a ser julgado por um crime de extorsão, três de abuso de poder e um de peculato de uso Ferreira Torres que está a ser julgado por um crime de extorsão, três de abuso de poder e um de peculato de uso (Paulo Pimenta (arquivo))
O ex-presidente da Câmara do Marco de Canaveses Avelino Ferreira Torres negou hoje em tribunal que José Faria fosse testa-de-ferro dos negócios que o levaram a tribunal, assegurando que este actuava por conta própria no ramo imobiliário, numa alegada colaboração com um gerente bancário.

Ferreira Torres disse ao colectivo de juízes do tribunal que José Faria era o "chefe de orquestra" de um esquema de compra e venda de propriedades, de que também beneficiaria um ex-gerente da Caixa Geral de Depósitos, cujo nome citou.

"Montaram um esquema bem montado", acusou, explicando que Faria desenvolvia negócios imobiliários e que, como era avaliador das Finanças, "estava como peixe na água", conseguindo avaliações superiores à real valia dos imóveis, o que lhe garantia empréstimos generosos. Exemplificou que para um terreno de 12 mil contos, conseguiu um empréstimo de 65 mil. "O ganho do gerente seria uma comissão", acrescentou.

Ferreira Torres, que está a ser julgado no Tribunal do Marco de Canaveses por um crime de extorsão, três de abuso de poder e um de peculato de uso, garantiu também que emprestou "muito dinheiro" a Faria, quantificando-o depois num valor superior a 100 mil contos (500 mil euros). "Dizia-me que era para comprar terrenos" afirmou.

Apesar dos empréstimos que disse ter-lhe feito, o ex-autarca assegurou que era "raríssimo" conversarem na câmara municipal, onde José Faria dependia directamente da chefe de serviços.

No seu testemunho de hoje perante o tribunal do Marco de Canaveses, o ex-autarca, actualmente vereador independente na Câmara de Amarante, disse também que desconhecia o sentido exacto de alterações no Plano Director Municipal (PDM) que, segundo a acusação conheceu antes de propostas e, por isso, pôde comprar e revender terrenos com elevados ganhos. "Nunca soube, nem hoje sei, o que é permitido construir aqui ou acolá. Confio nos técnicos", disse, assegurando que a alteração ao PDM ainda não entrou em vigor.

José Faria, que continua sob protecção policial, esteve ausente no Brasil no dia da primeira audiência do julgamento, a 16 de Abril. A testemunha partiu para aquele país dia 5 e regressou a 24, sustentando na altura que Ferreira Torres "foi o mentor" da sua viagem para o Brasil, uma versão que veio a reiterar ao Ministério Público.

Mais tarde assumiu, no entanto, que viajou para o Brasil "de livre e espontânea vontade", salientando que essa era a "única forma" de reaver o dinheiro referente às dívidas que tem às Finanças, alegadamente por transacções de terrenos que fez em nome de Ferreira Torres. "A ideia era ficar lá, com a garantia de que me seria depositada a quantia que eu paguei às Finanças, cerca de 13 mil contos", disse.

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Homem probo

Isso mesmo! Probo!! O Sr. Avelino Ferreira Torres, que tem por hábito falar na cara, dizer as ...

Anónimo

01.05.2008 14:38