Um casal irlandês, depois ter passado uma semana de férias em Almancil, viu-se “perdido” no aeroporto de Faro, sem voo para regressar a casa, nem dinheiro para continuar no Algarve. Valeu-lhes a generosidade do compatriota Thomas Shift, que também ficou em terra, devido à greve: “Não tenho onde ficar, mas tenho dinheiro. Vou ajudá-los”. O casal, acompanhado de uma filha adolescente e de um bebé de colo, afasta-se, escusando-se a prestar declarações.
Thomas Shift gozou duas semanas de férias em Albufeira, que tiveram um final pouco feliz. Segundo o que tinha planeado, deveria retomar o trabalho ontem à tarde, mas por causa da greve teve “mais dias forçados de descanso”. Em consequência do cancelamento de todos os voos no aeroporto de Faro, a Ryannair só lhe garante o regresso a casa amanhã. “Há greve geral”, disseram-lhe, quando questionou a razão de encerramento dos balcões de check-in.
Os clientes da Air Berlim, com voos marcados para Dusseldorf, Berlim e Palma de Maiorca, tiveram mais sorte. A companhia alemã assegurou a ligação socorrendo-se do aeroporto de Sevilha, transportando 545 clientes em 12 autocarros.
Thomas Shift lamentava a falta de informação. “ Não me falaram da greve”, criticou. Mas o que o preocupava era o casal “perdido” na gare, a empurrar o carrinho de bebé. “Vou ao encontro deles para os ajudar”, adiantou.
Já o escocês Angus Malingus, não se conformava, atirando críticas em todos os sentidos: “É assim que vocês – a principal região turística de Portugal – recebem as pessoas?” Visitou o Algarve pela primeira vez, passou uma semana na praia da Rocha, e ficou sem saudades de voltar. “Provavelmente, já não volto cá”, disse.
A namorada e mais duas amigas não comentaram. Saíram para a rua a ver se havia sol. Azar. A cidade acordou coberta de nevoeiro londrino. “Se tivesse tempo de praia, ia para a praia. Assim, vou ficar por aqui”.
À tarde, turistas não existiam. Apenas os trabalhadores da Groundforce e os piquetes de greve, que se juntaram para manifestar o descontentamento pelos despedimentos anunciados, simbolizando o gesto de solidariedade com uma largada de balões azuis e brancos.
Do lado dos passageiros portugueses, Maria Ferreira ficou em terra. Tencionava regressar a Inglaterra, para se apresentar ao trabalho numa fábrica de bolos, mas ficou sem voo. Comprou o bilhete na Easyjet, nas véspera da greve. Ontem de manhã, ao chegar ao balcão da companhia no aeroporto, teve uma desagradável surpresa. “ Fui apanhada pela greve”, comentou. O mais aborrecido, acrescentou, “foi não me terem informado para poder organizar a minha vida”.
A empregada do casino da Praia da Rocha, Joana, de 36 anos, viu cancelado voo que tinha reservado para Amesterdão, às 9h55, mas seguiu de autocarro para Sevilha, tomando o voo a partir de Espanha. A deslocação à Holanda, explicou, teve por finalidade gozar as férias com familiares. O casino, tal como a maioria dos empreendimentos turísticos da região, encerrou.


