Igreja Católica aberta a conversar, mas sem posição oficial para já

Feriado do Corpo de Deus pode ser a festa católica a cair, admitem bispos

13.10.2011 - 17:28 Por António Marujo

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A Igreja está disponível para discutir fim de alguns feriados A Igreja está disponível para discutir fim de alguns feriados (Pedro Cunha)
O feriado do Corpo de Deus, festa móvel que calha sempre às quintas-feiras entre 21 de Maio e 24 de Junho, pode ser o mais facilmente negociável, por parte da Igreja Católica, se o Governo decidir avançar com a ideia de reduzir as datas festivas em Portugal.

Apesar de não haver nenhuma posição oficial sobre o tema, o porta-voz do episcopado diz que a Igreja Católica está disponível para conversar. E diversos observadores coincidem, em conversa com o PÚBLICO, na ideia de que o Corpo de Deus, que já deixou também de ser feriado em Itália, pode facilmente cair.

A questão só foi objecto de conversas embrionárias na Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), até porque não estava até agora na agenda política. Em qualquer caso, a decisão final terá que ter o acordo do Vaticano, já que os feriados católicos estão regulados na Concordata. Na única vez que a hipótese foi colocada, quando Cavaco Silva era primeiro-ministro, em 1992, responsáveis da Igreja Católica reagiram com alguma veemência à ideia.

Desta vez, tendo em conta o contexto de crise económica, os bispos manifestam-se disponíveis para conversar e aceitar alguma cedência. Nesse sentido, a data móvel do Corpo de Deus – celebrada 60 dias após a Páscoa, sempre à quinta-feira e que, por isso, permite uma “ponte” – poderia ser a mais fácil de ceder.

O feriado foi instituído em 1269 pelo Papa Urbano IV e é como que uma réplica da Quinta-Feira Santa, já que festeja a instituição da eucaristia na Última Ceia de Jesus Cristo. No início, a iniciativa teve pouca repercussão. A partir dos séculos XVI e XVII, também como resposta à Reforma protestante, a festa estendeu-se e acabou por tornar-se uma das mais fortes tradições católicas, com procissões de rua. Ainda hoje, a procissão do Corpo de Deus tem grande visibilidade em muitas localidades.

Dos outros feriados religiosos, alguns dificilmente serão mexidos: é o caso do 1 de Janeiro, solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, que coincide também com o Ano Novo civil, e do dia de Natal.

Neste caso, a Igreja não aceitaria celebrar dia 23 ou 27, diz o porta-voz dos bispos, padre Manuel Morujão. “Há datas com uma carga afectiva muito grande”, afirma ao PÚBLICO. Em declarações à Lusa, o mesmo responsável tinha acrescentado: “Não se trata propriamente da Igreja, trata-se do povo e da religiosidade do povo português. É fácil ver que há certas festas que são inamovíveis.”

Outras duas datas também não serão facilmente cedidas pela Igreja. Trata-se de Sexta-Feira Santa e de 1 de Novembro, festa de Todos os Santos. Este dia é aproveitado por muitas pessoas para romagens aos cemitérios a propósito do dia de Fiéis Defuntos, que é assinalado no dia 2. Já quanto a Sexta-Feira Santa, a instituição do feriado é recente, mas há muitas localidades onde ele é “trocado” pela segunda-feira a seguir ao domingo de Páscoa, tradição que já vinha de há muitas décadas.

Na mesma situação pode estar o 8 de Dezembro, festa da Imaculada Conceição. Se algum feriado civil cair, dizia um dos observadores contactados pelo PÚBLICO, pode ser o 1 de Dezembro. Por isso, a Imaculada Conceição, proclamada pela Igreja Católica como padroeira de Portugal, poderia ser mantida como feriado, já que deixaria de haver dois feriados em duas semanas consecutivas.

Já o 15 de Agosto, festa de Nossa Senhora da Assunção, será mais difícil de mexer não tanto por razões religiosas como por razões sociais e culturais. Época de férias, o feriado é assinalado em muitos locais do país – é o dia do ano com mais romarias populares. A presença de muitos emigrantes no país e nas festas que por todo o lado se realizam são também argumentos para que a data continue a ser feriado.

As negociações terão que contar com a opinião da CEP, acrescentou o porta-voz dos bispos. Mas, tal como tinha dito à Lusa o mesmo responsável, elas partem “do pressuposto que o Governo diminui um ou alguns feriados civis”.

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feriados catolicos

(como se alguém além dos funcionários públicos e uma pequena parte dos trabalhadores deste país ...

jorge santos

14.10.2011 16:42

X

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