Fecho de urgência em Anadia e Alijó "é para o melhor das populações", diz Ministério da Saúde

23.12.2007 - 19:19 Por Lusa
O Ministério da Saúde garantiu hoje que o encerramento das urgências do Hospital José Luciano de Castro, em Anadia, e do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) de Alijó durante o período nocturno é "para o melhor das populações".
"Esta decisão é para o melhor das populações. Em Anadia e Alijó, os serviços que vão encerrar não reuniam as condições adequadas a um serviço de urgência", disse à Agência Lusa fonte do Ministério da Saúde.
Milhares de pessoas manifestaram-se hoje à tarde em Anadia contra o encerramento das urgências do Hospital José Luciano de Castro e cerca de duas centenas fizeram o mesmo em Alijó, em protesto contra o fecho do SAP durante o período nocturno.
De acordo com a mesma fonte, com o encerramento daqueles serviços, o Governo afirma que "as pessoas que necessitem [de atendimento] serão levadas o mais rápido possível para um serviço de urgência com melhores condições que as actuais e garante também uma maior acessibilidade às consultas de agudo (marcadas no próprio dia)".
"Foram cumpridas as garantias de que, nos casos de Alijó e Anadia, essas alterações só se concretizariam quando estivessem asseguradas as condições de que teriam uma melhor assistência", sublinhou.
No caso de Alijó houve um reforço dos meios de emergência, tal como em Anadia, onde houve também uma requalificação do hospital, precisou a fonte.
Questionada pela Lusa sobre se as manifestações que se realizaram hoje em Anadia e Alijó contra o encerramento daqueles serviços poderia alterar a decisão do ministro da Saúde, Correia de Campos, a mesma fonte disse que "não faria sentido voltar atrás": "A decisão é para manter e já foi anunciada", afirmou.
Milhares de pessoas efectuaram esta tarde uma marcha lenta em Anadia, em protesto contra o anunciado encerramento das urgências do Hospital José Luciano de Castro que abrange ainda os concelhos da Mealhada, Mortágua, Oliveira do Bairro e parte de Cantanhede, estendendo-se até ao IC2.
Litério Marques, presidente da autarquia de Anadia, acusa o ministro da Saúde, Correia de Campos, de "se ter portado mal" neste processo, por ter dito que "ia tratar o concelho diferente porque era um caso diferente".
"Nunca me disse que encerrava as urgências", garantiu, acrescentando que se sente "enganado".
Em Alijó, cerca de duzentas pessoas manifestaram-se hoje contra o encerramento do SAP durante o período nocturno.
O presidente da câmara de Alijó, Artur Cascarejo, considera que se o SAP encerra por ser um serviço sem qualidade, então o Governo tem que criar contrapartidas que, na sua opinião, passam pela "criação de uma urgência básica no concelho".
"Na sede de Alijó estamos a 47 quilómetros do hospital de Vila Real mas há aldeias do concelho que estão a mais de uma hora de distância da unidade hospitalar mais próxima", sustentou.
Para além do SAP de Alijó, até ao final do ano, fecham ainda os SAP de Vila Pouca de Aguiar e Murça, o serviço de urgência da Régua e o bloco de partos de Chaves.

