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Em carta enviada ao município

Fátima Felgueiras suspende mandato de presidente da Câmara

31.05.2005 - 11:06 Por Lusa

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A autarca fugiu para o Brasil em Maio de 2003 A autarca fugiu para o Brasil em Maio de 2003 (Nélson Garrido/PÚBLICO)
A presidente da Câmara de Felgueiras, Fátima Felgueiras, pediu a suspensão do seu mandato numa carta enviada ao município, na qual manifesta "a firme vontade" de estar presente no julgamento do caso do "saco azul", marcado para Outubro.

"Decido hoje suspender as minhas funções de presidente de Câmara de Felgueiras, não por qualquer assunção de culpa. Bem pelo contrário", declara a autarca na missiva.

"Faço-o porque o poder judiciário já demonstrou claramente ser sua intenção impedir-me de as exercer e neste momento considero que o mais importante será contribuir para que se criem todas as condições processuais para a minha participação no julgamento", acrescenta.

O pedido de suspensão de funções - ao abrigo do disposto no artigo 77 da Lei 169/99 de 18 de Setembro - surge na sequência de uma recente decisão do Tribunal Constitucional, que ideferiu o pedido de revogação da prisão preventiva apresentado pela autarca.

No recurso Fátima Felgueiras questionava a prisão preventiva que lhe foi imposta em 6 de Maio de 2003 pelo Tribunal da Relação de Guimarães, com o argumento de que, se o tribunal lhe permitia exercer funções, deveria dar-lhe o direito ao trabalho.

O advogado de Fátima Felgueiras, Artur Marques, escusou-se a prestar declarações, adiantando apenas que a sua constituinte poderá requerer a revogação da prisão preventiva de modo a comparecer em julgamento.

"Considero que a minha presença é decisiva para o esclarecimento da verdade", escreve na missiva Fátima Felgueiras. "É chegada a hora de se começar a escrever a verdade sobre toda esta matéria", assinala ainda, adiantando que o fará "durante os próximos meses, em nome de Felgueiras e em defesa da verdade".

"Estou empenhada nesse combate, e por isso, venho declarar e requerer a suspensão do meu mandato, com efeito a partir desta data e até ao seu termo", solicita. Fátima Felgueiras diz ainda que tudo fará "no âmbito do processo" para que a sua participação no julgamento "se processe em liberdade". Se assim for - sublinha - "reparar-se-á a injustiça de ter sido, em toda a nossa história judiciária, a única pessoa a quem foi aplicada a prisão preventiva por um Tribunal da Relação".

Felgueiras esclarece que pede agora a suspensão do mandato "em virtude de só há dias ter transitado a decisão do Tribunal da Relação" que ordenou a prisão preventiva e a correlativa decisão que levantou a suspensão do exercício das funções que lhe tinha sido "imposta ilegalmente", e agora ter sido agendado, para 11 de Outubro, o julgamento do processo-crime, em que é arguida.

A terminar, afirma: "Estou certa de que, sem fantasmas nem 'polvos' ilusoriamente inventados, o caso Felgueiras estaria há muito resolvido e não na praça pública, como o fizeram ser discutido".

Fátima Felgueiras fugiu para o Brasil no dia 6 de Maio de 2003, depois de ter sido decretada a sua prisão preventiva no âmbito do caso do "saco azul", em que é acusada da prática de 23 crimes.

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Agora com os amiguinhos no governo...

... é mais fácil ficar impune. Viva ao nacional porreirismo.

Anónimo

31.05.2005 14:36

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