O Tribunal de Felgueiras continua hoje a julgar o processo do saco azul de Felgueiras, com a audição da presidente da câmara municipal local, Fátima Felgueiras, que está acusada de 23 crimes.
A audição da autarca foi exigida na primeira sessão do julgamento pela própria, que não aceitou a sugestão de uma das advogadas de defesa no sentido de o tribunal ouvir primeiro os seis arguidos que estão acusados de um só crime.
O pedido visava, segundo a advogada, "evitar a sua presença em sessões onde se analisam outros alegados crimes".
No primeiro dia do julgamento, a 14 de Fevereiro, o presidente do colectivo de juízes agendou 54 sessões até 10 de Setembro, ao ritmo de três por semana.
Para além da autarca respondem outros 15 arguidos, entre os quais o ex-presidente socialista da Câmara de Felgueiras Júlio Faria; dois gestores e um técnico da empresa Resin-Resíduos Sólidos, SA; um técnico superior da autarquia; cinco empresários; e três ex-colaboradores do PS.
O colectivo de juízes é formado por José Castro, que preside, e pelas juízas Ana Neto e Anabela Fontes, os dois primeiros das varas mistas de Guimarães e a terceira do tribunal judicial local.
A autarca deverá manter no seu depoimento as declarações prestadas em 2003 ao juiz de instrução, designadamente que não geriu nenhum saco azul na Câmara Municipal de Felgueiras, que não cometeu ilegalidades nos contratos com a Resin, SA e que não recebeu verbas para campanhas a troco de licenciamentos irregulares.
Em 2005, o Tribunal de Instrução de Guimarães acusou a autarca Fátima Felgueiras de 23 crimes: cinco de participação económica em negócio, seis de corrupção passiva para acto ilícito, quatro de abuso de poderes, três de prevaricação, dois de peculato, um de peculato sob a forma continuada e dois de peculato de uso sob a forma continuada.


