Farmacêuticos não abdicam da exclusividade na dispensa de medicamentos

18.04.2009 - 12:55 Por Romana Borja-Santos
A Ordem dos Farmacêuticos critica no seu site a intenção do bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, de realizar um referendo à classe médica para averiguar a sua disponibilidade para entregar medicamentos aos seus doentes. “A proposta está totalmente desenquadrada da realidade, não tem qualquer fundamento técnico e científico e viola todas as regras e princípios estabelecidos na legislação”, defende.
De acordo com os farmacêuticos “em nenhum país desenvolvido o prescritor de medicamentos é simultaneamente responsável pela sua dispensa, sob pena de se agravarem os conflitos de interesses e as pressões comerciais a que estão sujeitos”. Por outro lado, asseguram que “o farmacêutico é único profissional de saúde com competências e conhecimentos sobre medicamentos”.
Os farmacêuticos lembram que, da mesma forma que contestaram que a sua classe se imiscuísse nas funções clínicas, opõem-se agora “veementemente a qualquer intenção usurpação de funções por parte da classe médica”. E sublinham: “A dispensa de medicamentos à população faz parte do Acto Farmacêutico e é da sua exclusiva responsabilidade, sendo do melhor interesse dos doentes que assim permaneça”.
Pedro Nunes anunciou ontem de manhã que vai promover um referendo para apurar se os clínicos estão disponíveis para aceitar a distribuição directa de medicamentos genéricos. O bastonário considera, citado pela TSF, que se esta proposta fosse aceite havia “uma poupança terrível, porque a margem da farmácia, deixava de existir”.
A ideia original terá partido do presidente da Associação Nacional de Farmácias que sugeriu o lançamento de concursos públicos para a compra em grandes quantidades de alguns dos medicamentos genéricos mais procurados. Contudo, o seu presidente, João Cordeiro, já esclareceu que a proposta que fez foi no sentido de as farmácias “negociarem com a indústria farmacêutica melhores cotações repercutindo as mesmas nos doentes”.

