Um relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) publicado hoje alerta para a existência de 36 países que precisam de ajuda alimentar internacional, enquanto outros onze enfrentam previsões desfavoráveis para as suas actuais culturas agrícolas, nomeadamente devido à instabilidade civil e ao clima.
É no continente africano que se situa a maioria dos países com necessidades alimentares, com 23 nações a precisar de ajuda externa. O relatório salienta o caso da Eritreia, onde a situação é de “grande preocupação”, nomeadamente depois de “sucessivos anos de escassa precipitação”, que afectou a agricultura e a criação de gado. Por contraste, a situação na Etiópia melhorou, em parte como resultado de boas condições meteorológicas; e a Somália prevê um aumento da produção agrícola nas principais zonas de cultivo.
De acordo com a FAO, a segurança alimentar é precária no Zimbabwe, no Lesoto e na Suazilândia, bem como na Costa do Marfim, onde os conflitos continuam a dificultar as actividades agrícolas e comerciais.
No continente asiático, o tsunami de 26 de Dezembro de 2004 “causou um elevado número de mortes e destruiu a vida de milhões de pessoas em vários países”, lembra o relatório. O sector mais afectado foi o das pescas, mas as culturas agrícolas localizadas também foram atingidas, registando-se perdas nos “stocks” de arroz. A FAO adianta que mais de 1,3 milhões de pessoas receberam ajuda alimentar nessa região.
O relatório manifesta o receio de que a água salgada impeça os agricultores de plantar em uma ou mais estações ou os force a adoptar culturas mais tolerantes ao sal ou variedades com baixa produtividade.
A República Democrática da Coreia (Coreia do Norte) ainda precisa de assistência internacional para atingir os níveis mínimos de alimentos, apesar dos recentes aumentos na produção.
No Iraque, a organização das Nações Unidas diz que a recente precipitação deverá ter um impacto favorável para as colheitas de Maio. Segundo um estudo do Ministério da Saúde iraquiano, os casos de má nutrição aguda em crianças com menos de cinco anos aumentaram para 7,7 por cento este ano, quando comparados com os quatro por cento de 2003.
O estudo prevê também que a produção de milho e arroz na América do Sul e Central seja afectada pelo tempo seco.
O relatório “Foodcrops and Shortages” da FAO é publicado três vezes por ano, em Fevereiro, Maio e Outubro.


