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Ministério desmente

Familiares denunciam agressões a reclusos de Coimbra depois de revolta

03.04.2010 - 15:02 Por Lusa

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Os reclusos queixam-se de que houve agressões, mas o Ministério desmente Os reclusos queixam-se de que houve agressões, mas o Ministério desmente (Paulo Ricca)
Vários familiares de reclusos do Estabelecimento Prisional de Coimbra disseram hoje à Lusa que se verificaram casos de agressões dentro da cadeia depois da revolta verificada sexta-feira, por não ter sido autorizada uma saída precária a um preso.

Esta manhã, à saída da penitenciária de Coimbra, uma jovem de 21 anos, do Porto, disse que o seu namorado "foi agredido até chegar à cela com cacetadas, murros e pontapés por guardas encapuzados".

"Não pude estar com ele porque foi colocado de castigo, mas contou-me por telefone que tem os olhos, as costelas e os braços todos negros", disse a jovem, relatando ainda que "foram muitos presos para o castigo e outros transferidos da cadeia".

Segundo a rapariga, o namorado e outros detidos que "não tiveram tempo de entrar na cela" quando estas fecharam foram os agredidos.

Também o cunhado de um outro detido, que veio do Porto, referiu que "houve agressões e reclusos transferidos".

"O meu cunhado contou-me que, depois da intervenção do Grupo de Intervenção dos Serviços Prisionais (GISP), houve agressões, com reclusos mal tratados e de castigo", disse.

Estas versões contrariam a versão oficial do Ministério da Justiça que, sexta-feira à tarde, disse à agência Lusa que não houve actuação dos elementos do Grupo de Intervenção dos Serviços Prisionais que se deslocaram ao Estabelecimento Prisional de Coimbra.

Já hoje contactada pela Lusa, fonte oficial do Ministério da Justiça manteve a versão de que os elementos do GIPS não intervieram na contenda.

"Os detidos mal souberam que eles estavam a chegar encaminharam-se para as celas e a confusão acabou aí", disse a mesma fonte, confirmando que os cabecilhas da revolta foram transferidos para outra cadeia e que outros participantes activos foram colocados em celas separadas até serem concluídas averiguações internas.

Os familiares dos reclusos ouvidos pela agência Lusa queixaram-se ainda da "péssima alimentação" e das regras apertadas na entrada de comida naquele estabelecimento prisional.

"O meu companheiro tem muitas vezes que só come a sopa", denunciou uma mulher de 44 anos, de Vila Praia de Âncora, lamentando ainda que os guardas usem as mesmas para "inspecionar os sapatos e a comida que levamos".

Outra fonte prisional disse à Lusa que a ementa tem motivado muitas críticas dos reclusos, que contestam a falta de qualidade e de variedade dos produtos.

"Nas últimas semanas tem sido vários dias a comer ovos com salsichas", acrescentou.

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