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Sintra

Familiar de idosa diz que solicitou arrombamento do apartamento ao Ministério Público

09.02.2011 - 22:53 Por Lusa

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Um dos familiares da idosa que terá falecido em 2002, cujo corpo apenas foi encontrado na terça-feira, assegurou ter solicitado várias vezes ao Ministério Público de Sintra para que autorizasse o arrombamento da porta da habitação.

“Em 2002 participei à PSP e ao tribunal de Sintra o desaparecimento da minha tia. Ao longo dos anos fui muitas vezes ao Ministério Público e disseram-me sempre que se ela estivesse morta notava-se o mau cheiro e por isso nunca deixaram arrombar a porta”, disse à agência Lusa Armando Martinho Gaspar, sobrinho da idosa que terá falecido em 2002 e cujo corpo foi encontrado na terça-feira, no seu apartamento na Rinchoa, Sintra.

O sobrinho septuagenário, que nunca tentou forçar a entrada na habitação por meios próprios, sustenta que “ainda na semana passada” se deslocou ao tribunal para tentar “mais uma vez” apurar novos dados sobre o desaparecimento da familiar, mas teve a mesma resposta: “Não cheira mal, por isso…”.

O sobrinho da idosa acrescenta: “Estou muito triste. Andei a caminho do tribunal várias vezes ao longo destes nove anos e nunca me deixaram arrombar a porta.”

Uma fonte da PSP disse à agência Lusa desconhecer qualquer participação, mas, caso tenha sido feita, teria sido reencaminhada para a GNR, que na altura se encontrava instalada na freguesia de Rio de Mouro.

“Sabemos que houve uma participação feita na GNR de Rio de Mouro, através de uma vizinha. Sei também que de facto houve um familiar que procurou a GNR, mas como não tinha chave não se conseguiu entrar no apartamento”, disse.

Segundo a fonte, em casos semelhantes de suspeita de falecimento de idosos, o procedimento habitual passa por contactar familiares ou, em caso de não haver família, solicitar autorização ao Ministério Público.

“Este caso é muito estranho. Não é normal ninguém ter detectado maus cheiros vindos da habitação”, disse, adiantando que “tudo aponta para que tenha sido morte súbita”.

O corpo da idosa desaparecida desde 2002 foi encontrado na terça-feira pela PSP, chamada ao local a pedido da nova proprietária, que adquiriu o imóvel num leilão realizado pelas Finanças.

A Lusa procurou obter do Ministério das Finanças e da Administração Pública uma explicação sobre a venda do apartamento num leilão sem uma avaliação prévia, sem que ninguém tenha entrado no imóvel antes da realização do leilão, tendo o gabinete de imprensa referido que “a administração fiscal actuou sempre dentro da legalidade e com o zelo e a prudência aconselhados pelas várias circunstâncias”.

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Comentário + votado

A mentira e a hipocrisia ...

... reinam neste país. Na função pública, tanto no sector administrativo como no sector empresarial ...

Anónimo

09.02.2011 23:51

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