Falta de verbas para obras atrasa transferência de doentes do Miguel Bombarda para Júlio de Matos

29.07.2010 - 10:36 Por Lusa
A transferência dos doentes do Hospital Miguel Bombarda para o Júlio de Matos, prevista para o início deste ano, está atrasada porque os edifícios que os deviam receber ainda não foram objecto das necessárias obras, por falta de dinheiro.
De acordo com o director do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa - que incluiu o Júlio de Matos e o Miguel Bombarda - estava previsto que existissem no Miguel Bombarda “o menor número de doentes” possível no início deste ano.
O objectivo é transferi-los para o Parque da Saúde. Os 32 doentes que ali se encontram, a cumprir pena, devem ser transferidos para um pavilhão (o 28º) que precisa de obras na ordem dos três milhões de euros, disse Ricardo França Jardim. As obras ainda não começaram, ao que parece por falta de verbas, adiantou.
Os restantes 47 doentes “sociais” – que permanecem no Miguel Bombarda por não terem outra alternativa – também deveriam ir para o Hospital Júlio de Matos, para instalações temporariamente ocupadas pelo Instituto da Droga e da Dependência (IDT), após falta de condições nas Taipas. Acontece que o IDT continua a ocupar este espaço, inviabilizando, assim, a transferência destes doentes.
Segundo Ricardo França Jardim, o Hospital Miguel Bombarda cumpriu a sua tarefa de ter actualmente o menor número de doentes possível, mas continua em compasso de espera, por não estarem disponíveis as instalações para os receberem no Parque da Saúde, onde funciona o Júlio de Matos.
O fim do Hospital Miguel Bombarda está há anos anunciado, tendo já o Ministério da Saúde procedido à sua venda à Estamo (empresa do Grupo Sagestamo, vocacionada para a aquisição de património excedentário do Estado), em Agosto de 2009, por cerca de 25 milhões de euros.
Sobre essa venda, Ricardo França Jardim limitou-se a dizer que não viu a escritura e desconhece o destino do dinheiro que rendeu.
Este responsável garantiu que o hospital não paga qualquer renda.

