O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, admitiu hoje que a situação em torno do processo Face Oculta é "de preocupação para todos", considerando natural que membros do governo "emitam opiniões" políticas.
Amado, que falava em Bruxelas à entrada para uma reunião de chefes de diplomacia da União Europeia, remeteu para o regresso a Portugal comentários sobre o processo, precisamente pelo facto de estar a chegar a um conselho ministerial dos 27 na capital belga, mas, perante a insistência dos jornalistas, reconheceu tratar-se de "uma situação delicada, que tem alguma gravidade".
Questionado sobre as recentes declarações públicas sobre o processo de alguns membros do Governo, como os ministros da Economia, Vieira da Silva, e da Defesa, Augusto Santos Silva - que alguns partidos da oposição consideraram configurar "pressões" sobre os investigadores - , o ministro dos Negócios Estrangeiros considerou-as "naturais".
"É natural que, do ponto de vista político, se emitam opiniões decorrentes da leitura que cada um faz desta situação, que é uma situação de preocupação para todos nós", afirmou, remetendo mais declarações para quando regressar a Lisboa. "Quando estiver em Portugal terei oportunidade de me pronunciar sobre essas questões", afirmou.
Na semana passada, em entrevista à Antena 1, o ministro da Economia e membro do Secretariado Nacional do PS, Vieira da Silva, criticou as escutas de conversas do primeiro-ministro, José Sócrates, com Armando Vara, registadas no âmbito do processo Face Oculta, no qual este último foi constituído arguido, falando mesmo em "espionagem política".
Por seu lado, Santos Silva, em declarações à SIC Notícias, considerou que as escutas ao primeiro-ministro, José Sócrates, foram feitas "em flagrantíssima violação da lei".
Segundo o procurador-geral da República (PGR), o primeiro-ministro, José Sócrates, apareceu em 11 escutas a Armando Vara no âmbito do processo Face Oculta, que investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas.
O PGR considerou que em seis dessas escutas "não existiam indícios probatórios que levassem à instauração de procedimento criminal", tendo também o Supremo Tribunal de Justiça decretado a sua nulidade e ordenado a sua destruição.
Quanto às restantes cinco escutas, o PGR anunciou no sábado que está a proceder à sua análise e que até ao final desta semana tomará uma decisão sobre as mesmas.
O processo Face Oculta conta com 15 arguidos, incluindo o presidente da REN-Redes Eléctricas Nacionais, José Penedos, e Armando Vara, que suspendeu as suas funções de vice-presidente do Millenium/BCP.



