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Face Oculta: engenheiro da Refer diz que Godinho ameaçava funcionários

23.02.2012 - 15:32 Por Lusa

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O ex-director da Zona Operacional de Conservação do Porto da Refer José Moutinho revelou nesta quinta-feira que o sucateiro Manuel Godinho, principal arguido no processo ‘Face Oculta’, terá ameaçado vários funcionários da empresa quando tentavam impedir levantamentos de carril.

“Aconteceu algumas vezes que o senhor Godinho aparecia sem estarmos avisados que ia levantar carril e aí havia problemas. Havias pessoas que eram intimidadas, foram ameaçadas de transferência ou de despedimento”, disse José Moutinho que foi ouvido na sessão da manhã pelo colectivo de juízes, enquanto testemunha de acusação.

Questionado sobre quem exercia essas ameaças, José Moutinho respondeu que “era o pessoal do senhor Godinho” e, algumas vezes, o próprio empresário das sucatas.

Já na sessão de quarta-feira, o funcionário da Refer Alberto Aroso declarou em tribunal que o seu superior hierárquico lhe tinha pedido para adulterar as quantidades de materiais constantes numa guia de remessa de 504 toneladas de carril para 100 toneladas, porque o senhor Godinho era “uma pessoa muito influente que tinha acesso a pessoas muito importantes”.

José Moutinho admitiu também que “havia sempre problemas de pesagens” com as empresas de Manuel Godinho, dando como exemplo um caso em que foi detectada “uma grande discrepância entre a carga indicada pela Refer e a carga que era indicada como levantada”.

“Houve uma reunião em Campanhã em que foi tentado que víssemos que tínhamos errado nas quantidades que indicámos. A insistência era muita, mas eu disse que não alterava uma vírgula e se quisessem podiam dar o carril”, contou ao tribunal.

A propósito das obras realizadas pela SEF, que pertence a Manuel Godinho, na linha do Douro em 2001, após o acidente que aconteceu com o descarrilamento de um comboio, a testemunha admitiu que “poderá que ter havido exageros”.

“As pessoas às vezes excediam-se. Quem se entusiasmou foi a empresa do senhor Godinho, que estava sempre disponível para fazer trabalhos a mais. Não teve quem dominasse o processo”, afirmou.

O engenheiro electrotécnico, actualmente na reforma, foi ainda confrontado com uma requisição de serviço da Refer, assinada pelo seu subordinado José Magano Rodrigues, co-arguido no processo, redigida em papel timbrado da SEF.

José Moutinho disse que aquele documento, datado de Janeiro de 2001, não era um procedimento normal. No entanto, admitiu que naquela época tudo aconteceu. “Até em papel de cartucho fizeram requisições”, frisou.

O processo ‘Face Oculta’ está relacionado com uma alegada rede de corrupção que teria como objectivo o favorecimento do grupo empresarial do sucateiro Manuel Godinho nos negócios com empresas do sector empresarial do Estado e privadas.


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"o polvo"

Ainda que fosse condenado o mafioso (que não vai ser), aposto que o que foi gasto já cá não ...

Johnny Good

23.02.2012 15:51

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