Julgamento

Face Oculta: cauções de 25 mil e 15 mil euros para empresários de sucatas

26.11.2009 - 19:00 Por Lusa

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O juiz de instrução do processo Face Oculta fixou hoje uma caução de 25 mil euros para Paulo Pereira Costa e uma de 15 mil para o seu pai, Manuel Nogueira da Costa, indiciando-os por associação criminosa e receptação.

Vítor Murta, um dos advogados dos dois arguidos, ambos empresários do sector de sucatas, explicitou que Paulo Costa está indiciado pela prática de quatro crimes de receptação, mais um do que os imputados a Manuel Costa, seu pai.

Ainda de acordo com a fonte, os dois arguidos podem falar entre si, mas estão proibidos de contactar com outros arguidos.

A equipa de advogados vai reunir com os dois arguidos antes de decidir se avança para recurso.

De acordo com a investigação do processo Face Oculta, os dois arguidos integrariam a alegada "rede tentacular" montada pelo principal arguido, Manuel José Godinho, igualmente empresário do sector das sucatas e que se encontra em prisão preventiva.

A defesa dos dois arguidos contesta esta tese, sublinhando que Paulo e Manuel Costa são empresários de sucatas independentes de Manuel Godinho, com quem apenas mantinham relações comerciais “normais”.

Na sexta-feira, o juiz de instrução António Costa Gomes vai prosseguir o interrogatório ao arguido Armando Vara, auto-suspenso vice-presidente do banco Millennium/BCP.

O ex-ministro socialista Armando Vara começou a ser ouvido dia 19, após consultar, com a sua equipa de advogados, “vastíssima documentação” do processo que foi colocada ao seu dispor.

À saída, Vara declarou-se “tranquilo”, porque - disse - “não fiz nada do que me acusam. Nunca pedi dinheiro a ninguém e nunca recebi dinheiro de ninguém”.

Na altura, o arguido não quis responder a questões relacionadas com o processo, por não querer contribuir para aquilo que chamou de “fugas selectivas” ao segredo de Justiça.

“As fugas ao segredo de Justiça são sempre no mesmo sentido, têm sempre o mesmo objectivo, são cirúrgicas e são preparadas e eu não quero entrar nisso”, justificou.

A investigação do processo registou vários encontros entre Armando Vara e Manuel Godinho. Num deles, o administrador do BCP terá recebido 10 mil euros do empresário para “encetar diligências”, que consistiriam em marcar um encontro entre Manuel Godinho e Domingos José Paiva Nunes, vogal do Conselho de administração da EDP Imobiliária.

Ainda durante a investigação do processo Face Oculta, Armando Vara foi um dos arguidos alvo de escutas telefónicas, tendo as suas conversas com o primeiro-ministro, José Sócrates, suscitando polémica judicial sobre a validade das mesmas.

O processo Face Oculta investiga alegados casos de corrupção e outros crimes económicos relacionados com empresas do sector empresarial do Estado e empresas privadas.

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