Ana Paula Vitorino, ex-secretária de Estado dos Transportes, terá testemunhado em tribunal que Mário Lino, ex-ministro das Obras Públicas, a tentou sensibilizar para os problemas que existiam entre o empresário Manuel Godinho (o único arguido em prisão preventiva no processo Face Oculta) e a Rede Ferroviária Nacional (Refer). Mário Lino tentou convencê-la a intervir, dizendo-lhe que Manuel Godinho era “amigo do PS”, avança a edição de hoje do Diário de Notícias.
Este pedido de intervenção de Mário Lino terá acontecido numa altura em que o sucateiro Manuel Godinho queria mais contratos com a empresa, mas o presidente da Refer, Luís Pardal, não queria a adjudicação de mais concursos a este empresário.
O processo Face Oculta investiga casos de corrupção relacionados com empresas privadas e do sector empresarial do Estado. Até ao momento, foram constituídos mais de 20 arguidos, incluindo Armando Vara, ex-ministro socialista e vice-presidente do BCP, que suspendeu as funções, José Penedos, presidente da REN, suspenso de funções pelo tribunal, e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA. Esta é a empresa que está no centro da investigação e o seu proprietário.
Contactada ontem pelo Diário de Notícias, Ana Paula Vitorino recusou prestar qualquer esclarecimento: "Não faço qualquer comentário sobre processos em segredo de justiça. Até me recuso a ouvir o que quer que seja", declarou.
Mário Lino, igualmente contactado pelo mesmo diário, também não quis comentar nada: "Sobre esse assunto não faço declarações, porque é um processo em segredo de justiça. Desconheço quaisquer declarações que tenham sido prestadas pela Ana Paula Vitorino no âmbito desse processo."
O despacho de acusação do Ministério Público de Aveiro terá ficado concluído ontem. Os 30 arguidos deverão conhecer hoje a acusação.


