Exército assegura que compra de sucata feita por Godinho foi “transparente”

21.11.2009 - 15:22 Por PÚBLICO, com Lusa
O concurso público para compra de material de sucata do Exército, no qual a empresa O2 - Tratamento de Limpezas Ambientais, de Manuel Godinho, ganhou seis lotes, foi “totalmente transparente”, garantiu hoje o porta-voz do Exército.
“O concurso público nacional para compra de material de sucata do Exército que envolveu um total de 14 empresas, dos quais a empresa O2 - Tratamento de Limpezas Ambientais ganhou seis lotes, foi totalmente transparente e cumpriu todas as normas e procedimentos definidos na lei”, disse o porta-voz do Exército, o tenente-coronel Perdigão.
“O concurso público foi feito a 24 de Setembro, houve 14 empresas concorrentes, foram entregues propostas em carta fechada e na quinta-feira passada estas foram abertas na presença dos concorrentes. Ninguém reclamou e não pediu as actas, mas o Exército vai enviá-las esta semana para todos os concorrentes”, disse. E acrescentou: “O Exército negoceia com empresas e não com pessoas”. O porta-voz explicou, ainda, que para serem admitidas as empresas “não podem ter dívidas nem ao fisco, nem à segurança social”.
O PÚBLICO avançou hoje que a O2 - Tratamentos Ambientais SA, empresa de Manuel José Godinho, único arguido detido no processo Face Oculta, continua a ganhar concursos públicos. O mais recente foi esta semana. E, desta vez, foi com o Exército.
A O2 comprou, por cerca de 94 mil euros, seis lotes de sucata - "material incapaz para o serviço do Exército". De acordo com o texto do contrato, publicado a 12 de Outubro em Diário da República, tratou-se de sucata de atrelados, viaturas, armários, camas e outros equipamentos. O preço-base variava, conforme os lotes, entre os mil e os 5000 euros, e estes estão depositados no Regimento de Manutenção, no Entroncamento, e no regimento de Guarnição n.º 1, em Angra do Heroísmo, na ilha da Terceira, nos Açores. O negócio aconteceu quando Manuel Godinho já estava detido no âmbito do processo Face Oculta.
Manuel José Godinho foi preso preventivamente a 30 de Outubro, no âmbito do processo Face Oculta e está indiciado pela presumível prática de 37 delitos, entre eles o de associação criminosa, 16 crimes de corrupção activa para acto ilícito, oito crimes de tráfico de influência, cinco de corrupção activa no sector privado e três crimes de burla qualificada.
Dois dias antes, a 28 de Outubro, foram feitas três dezenas de buscas em todo o país, incluindo a grandes empresas públicas como a Refer, REN, Galp, EDP e CP. Os investigadores concluíram que Godinho tinha criado uma "rede tentacular integrada" de forma a assegurar negócios com quatro grandes empresas da órbita do Estado. Quem facilitasse os negócios, através da sua influência, recebia, em contrapartida, luvas ou a oferta de bens valiosos, nomeadamente viaturas de topo de gama. Uma "rede" que incluiria, segundo o mandado judicial da operação Face Oculta, Armando Vara, que já reclamou a sua inocência, e José Penedos.
No total, foram constituídos 15 arguidos em todo o processo, incluindo quadros da Refer e da EDP.
Notícia actualizada às 16h27

