O Departamento do Interior norte-americano propôs a inclusão do urso polar na lista das espécies ameaçadas de extinção, devido à perda de gelo no Árctico, mas não tomou qualquer posição sobre o sobre-aquecimento do planeta.
O secretário do Interior, Dirk Kempthorne, foi cauteloso na apresentação das suas intenções aos jornalistas. Apesar de a decisão de procurar protecção para o urso polar (Ursus maritimus) reconhecer o degelo no Ártico, o seu departamento não está a tomar uma posição sobre as causas do degelo.
"Toda a questão das alterações climáticas está fora do âmbito da Lei sobre Espécies Ameaçadas", sublinhou Kempthorne, citado pela edição online do "New York Times".
O Departamento do Interior tem agora um ano para reunir informação e analisar recomendações à lista proposta e tomar uma decisão final. Deve também elaborar um plano de recuperação para controlar e reduzir os impactes negativos naquela espécie. Ainda não se sabe se esse plano vai incluir a relação entre as emissões de gases com efeito de estufa e o aumento das temperaturas no Árctico.
Organizações indignadas com atitude da Administração Bush
No dia 16 de Fevereiro do ano passado — dia da entrada em vigor do Protocolo de Quioto —, três organizações ambientalistas apresentaram uma petição em tribunal para pressionar o Departamento do Interior a incluir o urso polar na lista de espécies ameaçadas. Como resultado desse processo, o departamento foi obrigado a tomar uma decisão, que foi anunciada ontem (último dia do prazo).
"Não consigo perceber como pode esta Administração apresentar esta proposta sem reconhecer que a maior ameaça ao urso polar é o sobre-aquecimento global e sem aceitar as verdades científicas sobre este problema", comentou Kassie Siegel, do Centro para a Diversidade Biológica, a organização ambiental que liderou o movimento judicial.
Estima-se que existam entre 20 mil e 25 mil ursos polares no planeta, divididos em 19 populações na Rússia, Dinamarca, Noruega, Canadá e Estados Unidos.
A população mais estudada — a da Baía de Hudson, no Canadá — registou uma diminuição de 22 por cento entre 1987 e 2004 (de 1194 para 935 animais).
Em Maio, a União Mundial para a Conservação deu à espécie o estatuto de ameaçada na sua Lista Vermelha, prevendo um declínio de 30 por cento até meados do século devido, principalmente, à perda do gelo no mar num planeta mais quente.
Os ursos polares dependem deste gelo como plataforma para a caça de focas e como pontes para as zonas costeiras.
A espécie já sobreviveu a períodos de aquecimento das temperaturas, como o de há 130 mil anos. No entanto, os cientistas lembram que, desta vez, não conseguirá adaptar-se a um aquecimento tão rápido e tão vasto como o previsto para este século se as emissões de gases com efeito de estufa continuarem a crescer ao ritmo actual.


