A autoridade norte-americana de controlo da saúde pública (CDC) reviu hoje o número de casos confirmados de gripe mexicana (que é provocada por uma nova estirpe do vírus da gripe suína, estirpe esta que só se está a encontrar em humanos) para 109. E em Espanha aumentaram de 10 confirmados para 13, anunciou a ministra da Saúde Trinidad Juménez.
No Reino Unido foram confirmados três novos casos (são agora oito), e em Washington um funcionário do Banco Mundial foi infectado. A Organização Mundial de Saúde diz que não há razões para aumentar o nível de alerta.
“Há 13 casos confirmados e 84 pessoas em observação”, adiantou a ministra espanhola à chegada ao Luxemburgo para participar numa reunião da União Europeia sobre a gripe mexicana. Em França há cinco casos considerados “prováveis” de infecção com a doença embora 41 pessoas estejam ainda em observação, adiantou à AFP a directora do instituto francês de vigilância sanitária, Françoise Weber, durante uma conferência de imprensa no Ministério da Saúde.
Na região de Paris estão a ser acompanhados 26 dos 41 casos suspeitos em França. Foi internada uma menina de nove anos que esteve no México mas os resultados ainda não são conhecidos.
Dois dos três novos casos diagnosticados no Reino Unido foram detectados em Londres e todas as pessoas estiveram recentemente no México. Um porta-voz do Departamento de Saúde local disse à Reuters que “os preparativos que têm sido feitos vão continuar para garantir a resposta a uma eventual pandemia”.
No México, onde a situação é mais grave, foram avaliados até ontem 194 casos de pessoas com dificuldades respiratórias e, dessas, 18 foram hospitalizadas, explicou e secretário da Saúde na cidade do México, Armando Ahued. O presidente da autarquia, Marcelo Ebrard, considerou que os últimos números confirmam a “estabilização” da situação.
O Banco Mundial emitiu ontem um comunicado em que anuncia que um dos seus funcionários em Washington foi infectado com esta nova gripe depois de ter estado no México entre 13 e 18 de Abril, antes de a Organização Mundial de Saúde anunciar que está iminente uma pandemia. “Felizmente, o funcionário foi consultar o seu médico logo que voltou e está a ter uma recuperação rápida”.
O número dois da OMS, Keiji Fukuda disse esta tarde que a organização "não têm elementos que permitam pensar numa subida para o grau de alerta 6", diz a AFP.
A OMS decidiu ontem subir o nível de alerta para o grau 5. A Cruz Vermelha Internacional apelou a um financiamento de 3,3 milhões de euros para “travar a gripe” e “preparar a reposta a uma provável pandemia mundial”.
Nos EUA, em termos estaduais, Nova Iorque tem mais casos (50), seguindo-se o Texas com 26 e a Califórnia com 14. O organismo reportou casos novos na Carolina do Sul (10) e na Geórgia (1). A única morte fora do México ocorreu em território americano, de um bebé mexicano de 22 meses.
Enquanto isso, o vice-Presidente norte-americano, Joe Biden, afirmou que iria aconselhar a sua família a evitar aviões ou o metropolitano por causa da gripe, lançando o seu gabinete em modo de controlo de danos. Questionado na NBC sobre o que diria a membros da sua família que quisessem ir num voo comercial para o México, Biden – conhecido pelas suas gaffes – respondeu: “Diria aos meus familiares – e já o fiz – para evitarem espaços fechados”. Porque num avião, por exemplo, “quando uma pessoa espirra isso espalha-se por todo o avião”, justificou.
A responsável pela segurança interna, Janet Napolitano, disse que se a pergunta fosse novamente a Biden ele corrigiria para “se estiverem a sentir-se doentes” não deveriam entrar em aviões ou espaços confinados: “porque é isso que estamos a aconselhar”.
A associação da indústria de transportes dos EUA reagiu com irritação aconselhando os responsáveis eleitos a “conseguir um balanço delicado entre o que é correcto e a informação adequada a dar aos cidadãos”. A indústria sofre já com a recessão e teme os efeitos da gripe.
Notícia actualizada às 22h00


