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Casal do Alvarela, Óbidos

Etarras escondiam-se num bairro de polícias

06.02.2010 - 09:15

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A moradia branca, com duas palmeiras à frente, tinha como vizinhos dois agentes da PSP e, em duas vivendas a poucos metros de distância, um guarda da GNR e um militar do Exército. Contudo, ninguém suspeitava que na moradia branca arrendada pelos dois espanhóis, alegadamente com ligações à ETA, havia meia tonelada de material explosivo na garagem.

"Nunca me apercebi de nada. Sou militar no quartel de Caldas da Rainha e a minha mulher é enfermeira. Saímos de manhã e regressamos à noite", justifica Fernando Gaiato Silva, de 41 anos. A residir no bairro desde 2001, o militar do Exército diz que nem sequer sabia que a casa tinha novos inquilinos. As últimas pessoas que viu por ali foi uma família com três crianças, que deixou a casa em Setembro.

Assim que ouviu as notícias que davam conta da suspeita da existência de uma base da ETA no bairro onde viveu entre Março e Setembro, Laura Mateus deslocou-se ao local para ver mais de perto o que se estava a passar. Não estava, porém, à espera que a vivenda fosse precisamente aquela onde morou com a irmã, o cunhado e os três sobrinhos.

"Este bairro é sossegadíssimo. Do mais calmo que há. Viemos morar para aqui por causa das crianças", conta Laura Mateus. A ex-moradora refere, no entanto, que já tinha estranhado as operações stop da GNR, nas últimas semanas, numa rotunda junto a Casal do Avarela, com a mobilização de mais guardas do que era habitual. "Mandavam parar toda a gente. Viam os documentos e diziam para seguir."

Um pastor, de 79 anos, que costuma levar as cabras a pastar para um terreno em frente ao bairro há mais de 20 anos, confirma que a GNR tem feito diversas operações stop nas proximidades e que o mandou parar por duas vezes. "Achei que havia qualquer coisa que não estava a bater certo", conta. Contudo, diz que nunca se apercebeu de nenhuma movimentação estranha.

Operador do CDOS de Leiria, Jorge Fragoso, de 50 anos, mora a poucos metros do bairro e descreve Casal do Avarela como uma zona "muito sossegada". "Nas minha folgas, dou aqui uma voltinha de bicicleta e nunca me apercebi de nada de anormal. Se houvesse, teria alertado logo", garante. Agora, que a situação já é do conhecimento da polícia, diz sentir-se mais tranquilo. "Penso que isto fica resolvido. Não estávamos seguros e pensávamos que estávamos. Agora sim, vamos ficar."

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Resposta ao "Militar"

Por ser militar tem de estar de sentinela 24h / 7 dias? As pessoas têm vida própria. Se ...

Carla Neves

06.02.2010 15:57

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