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Práticas anticoncepcionais das portuguesas

Estudo: uma em cada seis adolescentes faz sexo desprotegido

02.03.2005 - 18:18

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Mais de 80 por cento das entrevistadas entre os 15 e os 19 anos abordou o tema da contracepção na escola Mais de 80 por cento das entrevistadas entre os 15 e os 19 anos abordou o tema da contracepção na escola (PÚBLICO)
Uma em cada seis adolescentes tem uma vida sexual activa sem utilizar qualquer contraceptivo, revela um estudo sobre as práticas anticoncepcionais das portuguesas, que apurou ainda uma maior utilização da pílula do dia seguinte.

A "Avaliação das Práticas Contraceptivas das Mulheres Portuguesas" é uma iniciativa conjunta da Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG) e da Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução (SPMR), cujos resultados definitivos serão apresentados na próxima terça-feira, Dia Internacional da Mulher.

Trata-se de um estudo nacional que envolveu cerca de 3900 mulheres, com idades entre os 15 e os 49 anos, residentes em Portugal continental, Madeira e Açores.

Segundo os resultados preliminares desta avaliação, 16 por cento das adolescentes não fazem qualquer contracepção, apesar de serem sexualmente activas.

A quantidade de mulheres que já recorreram à toma da pílula do dia seguinte aumenta à medida que diminui a sua idade: 11,2 por cento das mulheres já recorreram alguma vez à toma da pílula do dia seguinte, valor que aumenta para 32,9 por cento nas adolescentes.

Os autores do estudo consideram que esta conclusão expõe "claramente as deficiências na contracepção neste grupo em particular [adolescentes], onde uma gravidez não planeada poderá ter consequências mais significativas".

O presidente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia, Daniel Pereira da Silva, disse à Lusa que esta é uma das principais novidades da investigação, que "surpreende".

"Na nossa prática clínica temos a noção de que são as mulheres mais jovens que recorrem à pílula do dia seguinte, mas nunca esse facto foi espelhado em dados tão concretos", acrescentou.

Conhecimentos limitados da contracepção

O estudo aponta ainda para "limitações óbvias a nível do grau de conhecimento da população portuguesa em relação à contracepção em geral e à correcta utilização dos diferentes métodos contraceptivos".

Por um lado, as mulheres portuguesas têm um "elevado grau de conhecimento em relação aos diferentes métodos contraceptivos disponíveis, com particular ênfase para a pílula, o preservativo masculino e a laqueação tubária, todos identificados por mais de 90 por cento das entrevistadas".

No entanto, outros métodos – como o adesivo transdérmico, o implante subcutâneo e o anel vaginal – foram menos identificados, tendo sido referidos por 50 a 60 por cento das entrevistadas.

A esmagadora maioria das mulheres (87 por cento) considera-se suficientemente informada sobre os métodos contraceptivos, mas estes valores são ligeiramente menores na população entre os 15 e os 19 anos.

"A pílula é o método contraceptivo mais usado pelas entrevistadas (88,3 por cento), seguido pelo preservativo masculino (66,5 por cento)".

Má utilização da pílula

Apesar da utilização generalizada da pílula, o estudo apurou que entre 24,1 por cento e 75 por cento das entrevistadas referiram que alguma vez não seguiram as indicações correctas em relação à utilização de métodos contraceptivos, com o valor mais alto a ser registado com a pílula.

Das utilizadoras de pílula (70,4 por cento das entrevistadas que estavam a fazer contracepção), três em cada quatro indicaram que já alguma vez se tinham esquecido de tomar este contraceptivo.

O valor é maior entre as adolescentes, grupo em que nove em cada dez utilizadoras se esqueceu alguma vez de tomar a pílula.

A maioria das entrevistadas (70 por cento) assumiu esquecer-se de tomar a pílula um a três ciclos por ano, sendo que 15 por cento se esquecem de tomar a pílula em todos os ciclos, número ainda mais elevado entre as adolescentes, onde foram alcançados valores na ordem dos 22 por cento.

Os autores do estudo realçam "um aspecto extremamente significativo": "Não obstante as entrevistadas se considerarem satisfeitas com a informação relativa a contracepção, 22,9 por cento já utilizaram o coito interrompido, um método reconhecidamente falível".

Contracepção na escola

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