O nuclear é uma opção viável para satisfazer as necessidades energéticas da Austrália dentro de dez ou 15 anos, revela um estudo encomendado pelo primeiro-ministro John Howard, apresentado hoje em Canberra.
A energia nuclear "é a menos cara, tem poucas emissões e pode desempenhar um papel no futuro", salienta o relatório, elaborado em cinco meses por uma equipa coordenada pelo físico Ziggy Switowski.
De acordo com o grupo de trabalho, 25 reactores poderão satisfazer um terço das necessidades eléctricas do país e combater os gases com efeito de estufa (GEE) até 2050.
No entanto, o estudo diz que estes reactores nucleares devem ser construídos perto dos maiores centros urbanos e de cursos de água.
Mas, segundo o site da ABC, o ministro federal da Indústria, Ian Macfarlane, já veio garantir que as centrais não precisam de ser construídas pertos de grandes aglomerados populacionais.
Ambientalistas condenam estudo
A organização ecologista australiana Wilderness Society condenou o estudo. Alan Marr, da organização, disse que o primeiro-ministro "teve o relatório que queria".
David Noonan, da Australian Conservation Foundation, acredita que a comunidade nunca vai apoiar a construção de reactores perto dos centros populacionais. "Não existe possibilidade da comunidade australiana aceitar os riscos destes reactores nucleares (...) nem de aceitar viver numa lixeira nuclear".
Segundo o cientista Barney Foran, da Australian National University, cada reactor vai produzir cem toneladas de resíduos radioactivos por ano.
Câmara do Comércio e indústria apoiam reactores
Peter Hendy, da Câmara australiana do Comércio e Indústria (ACCI), afirma que vê a energia nuclear como uma "verdadeira opção viável".
Mitch Hooke, do Conselho dos Minerais da Austrália, diz que a indústria do urânio deseja ver um futuro mais favorável. O estudo "apresenta a fundação para remover as restrições à expansão da indústria do urânio na Austrália".
Seguindo o exemplo dos Estados Unidos, a Austrália recusou-se a ratificar o Protocolo de Quioto das Nações Unidas.
John Howard disse várias vezes que o seu Governo não vai alterar a posição relativamente a Quioto e já iniciou negociações com vista à introdução do nuclear como fonte de energia.


