Estudo português revela carência de iodo em 46 por cento das crianças analisadas

04.09.2009 - 11:05 Por Lusa
Perto de 46 por cento das crianças portuguesas envolvidas num estudo sobre a carência de iodo apresentaram níveis baixos da presença deste elemento químico essencial para o funcionamento da glândula tiroideia, enquanto onze por cento revelaram indícios muito baixos.
O estudo, a que a Agência Lusa teve acesso e que será divulgado no Congresso Europeu da Tiróide, que decorre entre amanhã e quarta-feira em Lisboa, envolveu 3334 crianças, com idades entre os seis e os 12 anos, de 78 escolas de todo o país.
Segundo a investigação, 382 crianças (11,4 por cento) destas crianças apresentaram uma carência grande de iodo e 1544 (46,3 por cento) níveis baixos. O estudo revela ainda que os distritos do país onde o nível de iodo é mais baixo são Bragança, Covilhã, Algarve, Coimbra e Portalegre.
João Jácome de Castro, da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia e presidente do congresso, explicou à Lusa que "a quantidade de iodo nos alimentos e na água varia significativamente de zona para zona geográfica". O endocrinologista referiu que o pescado marinho é uma das principais fontes de iodo, mas também os produtos hortícolas, que contêm quantidades variáveis em função do solo onde foram cultivados. Assim, de acordo com João Jácome de Castro, "as pessoas que vivem em zonas montanhosas, afastadas do mar e que têm uma alimentação mais pobre em iodo, têm uma maior susceptibilidade ao hipotiroidismo", uma doença que afecta dois a três por cento da população portuguesa.
O estudo sobre carência de iodo foi iniciado há três anos pelo Grupo de Estudos da Tiróide da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo e envolveu duas populações: grávidas e crianças em idade escolar. "Nas grávidas ficámos francamente preocupados: 80 por cento têm níveis de ingestão de iodo abaixo do desejável e 20 por cento níveis muito baixos", sublinhou o especialista, considerando estes dados "muito preocupantes". O médico alertou que a baixa de iodo na gravidez pode condicionar alterações no desenvolvimento intelectual das crianças no futuro.
Para alterar esta situação, a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia está em contacto com a Direcção-Geral da Saúde para propor que as grávidas façam um suplemento de iodo durante a gravidez e apela à sensibilização dos obstetras.
Apesar dos resultados nas crianças não serem "tão preocupantes como nas grávidas", Jácome de Castro afirmou que é preciso "estar alerta". "Isto é um trabalho que exige colaboração entre as especialidades médicas, autoridades de saúde e a divulgação junto das populações para que se preocupem com a sua saúde", frisou.
As necessidades em iodo aumentam desde o nascimento até à adolescência, mantendo-se depois constante no adulto, excepto na gravidez e na amamentação em que a necessidade ainda é maior.
A deficiente ingestão de iodo pode levar à diminuição da produção das hormonas tiroideias (hipotiroidismo) e ao aumento do tamanho da tiróide (bócio).

