Acusada de agressão às autoridades

Estudante portuguesa presa na Dinamarca espera julgamento há dois meses

16.02.2007 - 11:34 Por Joana Amaral Cardoso

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Há expectativa de que Susana Santos seja libertada já hoje Há expectativa de que Susana Santos seja libertada já hoje (Paulo Pimenta/PÚBLICO (arquivo))
A estudante portuguesa Susana Santos, de 26 anos, é hoje ouvida em tribunal em Copenhaga, Dinamarca, sob acusação de agressão às autoridades.

Susana Santos está presa preventivamente desde 16 de Dezembro passado, depois de ter participado numa marcha de protesto contra o encerramento de um centro de juventude de Copenhaga. Foram detidas cerca de 200 pessoas, entre as quais mais de 80 estrangeiros. Os seus amigos lançaram há semanas uma campanha de solidariedade na Internet.

Familiares e amigos da jovem contestam a lentidão da justiça dinamarquesa, já que Susana Santos foi detida e presente a um juiz em Dezembro, tendo sido formalizada a acusação. Mas a estudante deveria ter sido presente a tribunal a 11 de Janeiro, já que a lei dinamarquesa indica que após a formalização da acusação o julgamento deve ocorrer nas quatro semanas seguintes. A audiência foi adiada para 25 de Janeiro e o mesmo voltou a acontecer a 8 de Fevereiro. A nova sessão foi marcada para hoje e para dia 22, em que serão ouvidos outros activistas detidos no mesmo protesto.

Susana Santos encontrava-se “numa visita de estudo”, como contou a mãe da jovem ao PÚBLICO, e solidarizouse com a causa do Ungdomshuset, um centro social dinamizado por jovens e alvo de uma ordem de despejo, à qual resistiram. Numa marcha de protesto no dia 16 ocorreram incidentes e focos de violência e, afirma Diana Dias, uma das mobilizadoras da campanha “Su livre!”, Susana e um grupo de amigos foram detidos pela polícia. “Viu o melhor amigo dela ser preso e reagiu”, resistindo à polícia. Desde então encontra-se detida no estabelecimento de Vestrefangsel, na ilha de Kobenhaven, nas imediações da capital dinamarquesa. Do grupo de detidos, detalhou Diana Dias, “continuam presos a Susana, um amigo italiano — que vão ser julgados ao mesmo tempo —, um finlandês e também um inglês”, além de outros jovens identificados posteriormente pelas autoridades de Copenhaga, que estarão a recorrer a vídeos para identificar os envolvidos nos distúrbios. Fonte da Secretaria de Estado das Comunidades disse ao PÚBLICO que “tem conhecimento do caso e tem estado a acompanhá-lo”, adiantando que “o chanceler tem visitado” Susana Santos no estabelecimento prisional e que “há expectativa de que ela seja libertada” hoje, se o julgamento não sofrer mais adiamentos.

O PÚBLICO tentou, sem sucesso, contactar a embaixada dinamarquesa em Lisboa e a embaixada portuguesa em Copenhaga. João Salgueiro, informático de Lisboa, tomou conhecimento do caso esta semana através da campanha de solidariedade, alojada num sítio da Internet, que levou amigos, familiares e simpatizantes a contactar a representação dinamarquesa em Lisboa. Tentou informar-se sobre a situação de Susana Santos. Falou na quarta-feira com uma representante da embaixada da Dinamarca em Portugal, junto da qual confi rmou que “tinham detido uma estudante portuguesa e que o prazo das quatro semanas tinha expirado”.

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Antonio Quintella

22.02.2007 15:32

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