Estónia imobiliza navio na origem de catástrofe ecológica na Costa do Marfim

27.09.2006 - 19:43 Por AFP
A Estónia imobilizou hoje o navio com pavilhão do Panamá, “Probo Koala”, que transportou em Agosto resíduos tóxicos para a Costa do Marfim, causando uma catástrofe ecológica que matou oito pessoas.
Na segunda-feira, a organização ecologista internacional Greenpeace enviou o seu navio “Artic Sunrise” para o porto de Paldiski, a 50 quilómetros de Talin, onde está atracado o “Probo Koala”.
A Greenpeace exigiu às autoridades estónias que “apreendessem todos os documentos a bordo do ‘Probo Koala’ tendo em vista um futuro inquérito judicial”, explicou Yannick Vicaire, responsável pela campanha “Tóxicos” da Greenpeace francesa, a bordo do “Arctic Sunrise”.
O navio dos ecologistas não perdeu de vista o “Probo Koala” para impedir a sua saída do porto.
Se a intervenção da Greenpeace foi criticada pelas autoridades estónias – que chegaram a deter quatro activistas na terça-feira -, a mesma recebeu aplausos do Governo da Costa do Marfim.
Hoje, o ministro do Ambiente da Costa do Marfim, Daniel Aka Ahizi, pediu oficialmente ao seu homólogo estónio para ordenar o sequestro do “Probo Koala” no âmbito de um inquérito.
Por fim, a polícia estónia foi hoje enviada para o porto de Paldiski para impedir que o navio saísse para o mar, informou a porta-voz da Procuradoria-Geral estónia, Piret Seeman.
De acordo com Seeman, “os resultados das análises recebidos hoje mostram semelhanças entre os resíduos a bordo do ‘Probo Koala’ na Estónia e os resíduos despejados pelo ‘Probo Koala’ na Costa do Marfim, onde provocaram uma intoxicação em massa”.
Depois destes resultados,”o ministro do Ambiente estónio ordenou a abertura de um inquérito” para “determinar se o ‘Probo Koala’ sabia que os resíduos continham substâncias tóxicas e se procurava livrar-se delas”, acrescentou a porta-voz.
Na noite de 19 para 20 de Agosto, o navio descarregou em Abidjan toneladas de resíduos tóxicos que foram despejados em vários pontos daquela cidade, capital económica da Costa do Marfim. Oito pessoas morreram e milhares ficaram intoxicadas.
A Greenpeace, que tem os proprietários do “Probo Koala” como responsáveis por tráfico de resíduos tóxicos, quis obrigar o navio a suspender todas as actividades e defende que o navio deve permanecer no porto estónio até ao final do inquérito.

