Estados Unidos dispostos a aceitar acordo vinculativo contra gases com efeito de estufa

25.02.2008 - 11:10 Por AFP, PÚBLICO
Os Estados Unidos estão dispostos a aceitar "um acordo intermacional vinculativo" de redução das emissões de gases com efeito de estufa, que poderá ser anunciado em Julho", disse hoje em Paris um alto responsável da administração norte-americana, Daniel Price.
"Os Estados Unidos estão dispostos a integrar um acordo internacional, vinculativo, de redução de emissões de gases com efeito de estufa (...), no âmbito do qual todas as grandes economias assumirão compromissos semelhantes", disse Price, conselheiro do Presidente George W. Bush para os assuntos económicos internacionais.
Este acordo poderá ser anunciado na cimeira dos oito países mais industrializados, o G8, no início de Julho, no Japão, precisou aos jornalistas. A comunidade internacional deve definir, até 2009, o sucessor do Protocolo de Quioto, que expira já em 2012. Na mesa de negociações, a redução das emissões será o método base a adoptar.
A União Europeia defende que o mundo não deve exceder um aumento médio das temperaturas na ordem dos dois graus, caso contrário, as alterações climáticas deixam de ser "geríveis". Para isso, estima, será preciso reduzir as emissões em 30 por cento até 2020, relativamente aos níveis de 1990.
Em Março de 2001, os Estados Unidos recusaram ratificar o Protocolo de Quioto, único tratado internacional sobre redução das emissões - que prevê cortes médios de 5,2 por cento até 2012, a níveis de 1990, para os países industrializados -, alegando os enormes impactos na sua economia e o facto de não incluir os países emergentes, como a China e a Índia. Para a administração Bush, o protocolo não tem eficácia se não incluir estes países.
Apesar de participar nas negociações da Convenção Quadro das Nações Unidas contra as Alterações Climáticas, a administração Bush tem ficado sempre de fora das negociações sobre o Protocolo de Quioto, uma situação que deixou o país isolado na cena internacional. A opção norte-americana tem sido a aposta nas novas tecnologias, em detrimento da redução das emissões.
"É muito frustrante ouvir, permanentemente, ser sugerido que os Estados Unidos preferem compromissos voluntários. Vou dizê-lo de forma clara: isso, simplesmente, não é verdade", garantiu Price, lembrando que os Estados Unidos adoptaram, nos últimos anos, programas de redução das suas emissões abrangendo os oito sectores com mais emissões.
"É altura do diálogo entre os Estados Unidos e a União Europeia evoluir (...). É preciso trabalhar em conjunto para garantir a adesão de todas as grandes economias" a um acordo.
"Não existe apenas uma forma ou um mecanismo para resolver o problema" das alterações climáticas, insistiu Price, referindo-se ao Protocolo de Quioto.
Quanto àqueles que acreditam que a mudança de Presidente na Casa Branca pode acelerar as negociações pós-Quioto, Price preveniu: "A futura administração não vai considerar aceitável, nem politica nem economicamente, um acordo que não imponha compromissos às economias em desenvolvimento. Isto não é nem democrata nem republicano; é simplesmente realista", acrescentou, lembrando que em 2020 "a China estará a emitir duas vezes mais gases com efeito de estufa que a América e a União Europeia juntas".
Em Junho do ano passado, a administração Bush lançou o processo "MEM" (Major Economies Meeting), um grupo de trabalho paralelo à linha seguida pelas Nações Unidas.
Price, acompanhado por Jim Connaughton (conselheiro do Presidente norte-americano para o Ambiente), encontra-se em Paris para preparar a reunião das "Principais economias" poluidoras - 16 países responsáveis por 80 por cento das emissões mundiais, entre eles a China, Índia, Brasil e África do Sul - prevista para meados de Abril, na capital francesa.
Em 2004, um relatório do Pentágono, encomendado pelo conselheiro do Pentágono para a Defesa Andrew Marshall, alertou para os efeitos catastróficos das alterações climáticas até 2020. Um cenário iminente de alterações climáticas catastróficas é “plausível e vai desafiar a segurança nacional dos Estados Unidos de formas que devem ser consideradas imediatamente”, concluía então o relatório da autoria de Peter Schwartz e Doug Randall.

