Estados Unidos aceitam limites diferenciados de redução de emissões para países emergentes

28.02.2008 - 10:58 Por AFP
Os Estados Unidos estão dispostos a aceitar limites de redução de emissões de gases com efeito de estufa (GEE, sigla em inglês) diferentes para países emergentes e países industrializados, no âmbito das negociações sobre o sucessor do Protocolo de Quioto, que expira em 2012, disse hoje um responsável norte-americano.
“Queremos que estes compromissos (dos países emergentes) sejam tão obrigatórios quanto os nossos. Relativamente às percentagens de redução (dos GEE), não têm de ser idênticas. Isso terá de ser negociado”, declarou o embaixador americano na União Europeia, Boyden Gray.
Esta questão do tratamento diferenciado é crucial aos olhos dos países emergentes como a China ou a Índia. Envolvidos numa fase de desenvolvimento económico, estes países recusam ser colocados ao mesmo nível dos Estados Unidos ou da União Europeia, que estiveram livres para emitir a fim de crescerem economicamente.
Boyden Gray, que falava num colóquio organizado pelo centro de reflexão European Policy Center, confirmou a mudança de atitude da administração Bush sobre as alterações climáticas.
No início da semana, Daniel Price, conselheiro do Presidente George W. Bush, disse que os Estados Unidos estão dispostos a aceitar um acordo “global” que imponha metas de redução de emissões a todos os países, incluindo os emergentes, que ficaram de fora do Protocolo de Quioto.
Até agora, o Governo de Bush sempre recusou reduções de emissões impostas, preferindo as medidas voluntárias e a aposta em novas tecnologias.
Os Estados Unidos são os únicos, no mundo desenvolvido, que não ratificaram o Protocolo de Quioto.
A comunidade internacional tem até ao final de 2009 para definir o futuro regime de luta contra as emissões de GEE, depois de 2012.

