O presidente da Associação Portuguesa de Telemedicina, Eduardo Castela, defendeu hoje o alargamento da medicina à distância a todas as especialidades hospitalares, como forma de encurtar o tempo de espera para consultas. O especialista disse ainda que deveriam ser criadas redes de telemedicina com os países da CPLP.
O pioneiro das consultas de telemedicina em Portugal e especialista em cardiologia pediátrica falava no âmbito dos III Encontros de Telemedicina de Conímbriga, a decorrer hoje, durante os quais abordou a "Telemedicina trans-fronteiras".
Entre as vantagens da telemedicina apontadas pelo também director do Serviço de Cardiologia do Hospital Pediátrico de Coimbra (HPC) estão o "encurtamento do período de espera para consultas" e o apoio aos clínicos instalados em zonas mais isoladas, como o interior do país. Outro dos desafios que se colocam à telemedicina em Portugal é a criação de uma entidade que "discipline e coloque algumas regras de uniformização do sistema", o que, na opinião de Eduardo Castela, "acabará por acontecer naturalmente, com o decorrer do tempo".
Eduardo Castela realça que, na região Centro, todos os hospitais distritais se encontram ligados por telemedicina ao serviço que dirige no HPC, o que permite, há uma década, não só a realização de consultas, mas também urgências de diagnóstico pré-natal de doenças cardíacas. O mesmo apoio é mantido pelo Pediátrico de Coimbra com o Hospital de Vila Real, em Trás-os-Montes, e, há cerca de oito meses, com o Hospital David Bernardino, em Luanda, prevendo-se, para breve, o seu alargamento à cidade do Mindelo, Cabo-Verde.
Em fase embrionária está a possibilidade de as crianças já consultadas através da telemedicina em Angola poderem ser também operadas no seu país, beneficiando do mesmo sistema.


