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Durante o próximo século

Especialistas propõem criação de Agenda Alentejo sobre impactes das alterações climáticas

17.02.2006 - 16:54 Por Lusa

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O Alentejo conhecerá Verões mais quentes, acompanhados de secas mais frequentes e intensas O Alentejo conhecerá Verões mais quentes, acompanhados de secas mais frequentes e intensas (DR)
Os impactes das alterações climáticas nos recursos hídricos e as adequadas medidas de mitigação e adaptação justificam a criação de uma Agenda Alentejo, propuseram vários especialistas que participam hoje e amanhã numa conferência em Évora sobre os impactos climáticos projectados para a região até finais do século XXI.

No âmbito da agenda serão realizados, ao longo deste ano, debates nos 47 concelhos da região para ouvir as propostas das populações e das diferentes instituições, informou António Murteira, antigo deputado do PCP e membro da organização do encontro.

"Daqui a um ano, o debate culminaria com nova conferência para a apresentação de propostas concretas para a Agenda Alentejo, tendo em conta o quadro climático e os impactos projectáveis para a região", disse.

"A concretização de uma tal iniciativa dependerá da vontade de um conjunto de parceiros institucionais e da sociedade civil em meterem mãos à obra", lembrou.

No final do século, o Alentejo conhecerá Verões mais quentes, acompanhados de secas mais frequentes e intensas, assim como Invernos e Outonos com menor precipitação, revelou João Corte-Real, especialista do Centro de Geofísica da Universidade de Évora.

"O sul do país, e principalmente o Alentejo, é já uma zona semi-árida. No passado, o intervalo de tempo entre secas extremas ou severas era da ordem dos dez anos mas, mais recentemente, ronda os cinco anos", exemplificou.

Contudo, o catedrático rejeitou "cenários catastróficos" para o futuro. "Secas sempre tivemos e, por isso, não vamos ter fenómenos diferentes. Os extremos é que poderão ser mais intensos e frequentes".

O especialista alertou para a importância do estudo destes fenómenos para uma efectiva adopção de medidas de adaptação às situações estimadas e de mitigação das consequências esperadas em áreas como o turismo, recursos hídricos ou agricultura.

"Não sou especialista em matéria agrícola, mas deveríamos começar a preparar estas eventualidades no Alentejo, nomeadamente pensando noutro tipo de culturas e num reordenamento do território", afirmou.

A conferência sobre "Alterações Climáticas e Gestão dos Recursos Hídricos no Alentejo", realizada nas instalações da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, está a cargo da Casa do Alentejo e da Revista Alentejo e envolveu na sua organização um conjunto de outras entidades regionais.

Amanhã os participantes vão visitar a Barragem de Alqueva.

A conferência é promovida em parceria com as associações de municípios de Évora e do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral, Associação das Regiões de Turismo do Alentejo, Centro de Documentação e Arquivo da Reforma Agrária e Centro de Geofísica da Universidade de Évora.

Além disso, envolve também a CCDRA, a Fundação Alentejo - Terra Mãe e a Ruralentejo - Associação para o Desenvolvimento Rural do Alentejo.

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