II Congresso Internacional da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Psicologia da Justiça

Especialistas defendem avaliação psicológica inicial dos presos para "minimizar" situações problemáticas

03.10.2008 - 10:28 Por Lusa

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Para os especialistas, a liberdade condicional devia depender de avaliação psicológica Para os especialistas, a liberdade condicional devia depender de avaliação psicológica (Nuno Ferreira Santos)
Reincidência durante a liberdade condicional, violência entre reclusos e suicídios são apenas algumas das situações que podiam ser "minimizadas" se a "avaliação psicológica inicial dos presos" fosse prática corrente nas cadeias portuguesas, defendem especialistas.

No dia em que se realiza o II Congresso Internacional da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Psicologia da Justiça, no Porto, especialistas ouvidos pela Agência Lusa defenderam uma "apreciação precoce" do recluso assim que chega ao estabelecimento prisional, através de uma "avaliação psicológica inicial".

No entender de Rui Abrunhosa Gonçalves, psicólogo do Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho, esta avaliação permitiria "perceber características relacionadas com o risco e a personalidade, nomeadamente perturbações mentais, maior ou menor tendência para o suicídio e outras perturbações de personalidade".

"Um diagnóstico atempado destas situações permitiria intervenções adequadas do ponto de vista psiquiátrico-médico e psicoterapêutico. Avaliava-se melhor o risco que estes reclusos representam para os outros e seria essencial para a apreciação da aplicação da liberdade condicional", considerou.

Opinião partilhada pela psicóloga clínica Emília Marques, que há onze anos trabalha no Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo (Matosinhos): "Concordo [com a importância dessa avaliação], mas não há recursos humanos para fazer semelhante coisa. Faz-se o trabalho que é possível dentro do estabelecimento para colmatar os problemas dos reclusos durante o internamento", afirmou.

Segundo a especialista - que hoje fala no Congresso sobre os desafios e problemas da prática clínica do psicólogo no tratamento em meio profissional -, no estabelecimento prisional onde trabalha é feita uma triagem "logo quando o sujeito chega à prisão, mas não na área psicológica, onde seria desejável".

"É feita uma primeira avaliação que nos dá alguns indicadores como doenças ou medos do recluso, e que nos facilitam o processo de tratamento e o reencaminhamento para outras unidades existentes", explicou Emília Marques.

Porém, a especialista admite que as perturbações de personalidade graves, como a psicopatia e desordem da personalidade anti-social, "não são identificadas neste tipo de avaliações".

"Só poderão ser identificadas ao longo do processo. Com uma avaliação inicial podia trabalhar-se com o sujeito e tentar ajudá-lo dentro do possível", sublinhou.

Na opinião de Rui Abrunhosa Gonçalves, essa "lacuna tem que ser comutada" para evitar que "um recluso que seja um psicopata ou um indivíduo muito violento não seja detectado atempadamente".

"Só deveriam sair em liberdade condicional aqueles que foram avaliados e que apresentam menor risco de reincidir. Além de uma avaliação inicial, é também fundamental uma monitorização contínua", vincou.

O especialista lembrou que o trabalho dos psicólogos nas cadeias "passa muito por tentar avaliar e diagnosticar os problemas que os reclusos apresentam devido ao internamento", ou seja, pela "gestão da pena dos reclusos e não nas funções que se esperariam de um psicólogo: avaliação psicológica e intervenção em casos específicos de surto de doença mental ou tentativas de suicídio".

"Há profissionais que trabalham nas prisões como psicólogos clínicos, sobretudo na área da toxicodependência, mas muitos funcionam como técnicos de reeducação, uma espécie de bombeiro que vai gerindo os problemas", referiu.

Para Emília Marques, os maiores desafios e dificuldades no exercício da sua profissão no meio prisional têm a ver "com carência de recursos humanos e as circunstâncias em que os psicólogos trabalham, em condições adversas, junto do sujeito para que se possa tornar alguém válido".

"Estamos dentro de uma instituição que não é totalmente aberta e que tem uma própria dinâmica institucional e uma sub-cultura própria, com todas as problemáticas inerentes", referiu também.

"Há reclusos que estão lá há muito tempo e muitos deles não têm ocupações. Isto aumenta a agressividade dirigida a si próprio ou contra os outros", alertou ainda a especialista.

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preocpacão

sou de Luanda Angolana trabalho numa unidade prisional que futuramente sera hospital prisao ...

maria gabriela

30.06.2011 11:22

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