Especialista defende mais investigação sobre vírus HPV e vacina

25.01.2008 - 12:22 Por Andrea Cunha Freitas, (com Lusa)
O presidente da Sociedade Portuguesa de Papillomavirus, Rui Medeiros, defendeu hoje, no Porto, a continuação da investigação do vírus HPV e das novas vacinas contra o cancro do colo do útero. Uma posição que surge na sequência do alerta do Infarmed sobre a morte de duas mulheres estrangeiras que tomavam Gardasil
"Estas notícias demonstram que continua a ser necessário investigar a acção da vacina e também o vírus", considerou Rui Medeiros reagindo, desta forma, ao anúncio do Infarmed lançado após uma comunicação oficial da Agência Europeia do Medicamento. Contudo, o especialista fez questão de deixar claro que "os dois casos de mortes associados à vacina não são nada significativos num contexto de milhões de doses já administradas".
Assim, apesar de insistir que é necessário "continuar a investir no rastreio do cancro do colo do útero, apesar da existência das vacinas", Rui Medeiros afirmou à Lusa: "Até hoje, não há razão para deixar de vacinar. Os últimos dados científicos não sugerem uma paragem".
O Infarmed tinha já insistido nesse ponto. "Não foi estabelecida uma relação causal entre a morte das mulheres jovens e a administração da Gardasil (vacina quadrivalente contra o cancro do colo do útero, aprovada na União Europeia)", referia ontem comunicado da autoridade que regula o mercado dos medicamentos em Portugal. Em declarações ao PÚBLICO, uma fonte do Infarmed acrescentou: "Não há motivo para que as mulheres que estão a tomar a vacina deixem de o fazer, devem continuar".
Pelo lado da Sanofi Pasteur MSD, também fica a garantia deixada pela directora técnica, Ana Paula Silva: "Isto é um não-caso. Trata-se apenas de um coincidência temporal. Estamos plenamente confiantes nos dados de segurança da vacina".
Ainda assim, a Agência Europeia do Medicamento (EMEA) comunicou duas mortes "súbitas e inesperadas" de mulheres que estavam a tomar Gardasil. "Um dos casos ocorreu na Áustria e o outro na Alemanha. Em ambos os casos não foi possível identificar a causa de morte", refere a nota da EMEA divulgada pelo Infarmed, que sublinha: "Com base na evidência disponível, o Comité Científico de Medicamentos de Uso Humano da EMEA é da opinião que o benefício do Gardasil continua a ser superior ao risco e que não é necessário alterar a informação sobre o medicamento".
Segundo o Infarmed, a comunicação deste tipo de casos é obrigatória, o que justificará esta divulgação, ainda que se reconheça o risco de alarmismo junto das 19 mil mulheres que em Portugal tomaram a vacina (há 1,7 milhões de doses vendidas na Europa). Insistindo na segurança do medicamento, o Infarmed assegura que os casos serão investigados e que a EMEA vai continuar a monitorizar a Gardasil. Em Setembro, o Governo inicia a vacinação gratuita de 55 mil raparigas de 13 anos.

