Escravatura foi abolida oficialmente mas continua a fazer parte da vida contemporânea 
08.12.2008 - 19:02 Por Lusa
A escravatura foi abolida oficialmente em todo o mundo mas continua a ser um instrumento da vida contemporânea “largamente difundido e profundamente arreigado”, segundo um relatório divulgado pela UNESCO (a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) para no seu sítio da Internet.
O documento, com 139 páginas, compara e analisa a situação actual e explora diferentes possibilidades de luta contra a escravatura contemporânea.
Intitulado “Unfinished Business” (“Uma questão pendente”), o relatório constitui a primeira comparação existente entre os sistemas de escravatura do passado e os casos actuais de servidão humana.
Trata-se de uma obra do investigador britânico Joel Quirk, do Instituto Wilberforce para o Estudo da Escravatura e a Emancipação (WISE), elaborado a pedido do projecto UNESCO “A Rota do Escravo”.
Recomendada libertação e reabilitação das vítimas
O documento começa por definir as diferentes formas de escravidão, fornece dados sobre a sua amplitude, estuda as diferenças e semelhanças entre as práticas históricas e contemporâneas de dominação e analisa as principais circunstâncias históricas que conduziram à sua abolição.
Socorrendo-se de casos registados em Portugal, Estados Unidos, República Dominicana, Haiti e Reino Unido, o trabalho passa em revista as principais limitações de abolição legal da escravatura.
Nas conclusões, sugere possíveis estratégias e recomendações, estruturadas em quatro grandes eixos de acção: educação, informação e sensibilização; continuação das reformas legislativas; aplicação efectiva da lei; libertação e reabilitação das vítimas e reparação das injustiças.
O estudo foi publicado por ocasião do Festival Internacional de Filmes contra a Exclusão e a Favor da Tolerância, iniciado no passado dia 5 e que termina no dia 13, na sede da UNESCO, em Paris.
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