Escolas reabrem com planos de contingência contra a gripe A prontos

10.09.2009 - 08:00 Por Bárbara Wong, Natália Faria
É uma espécie de David contra Golias: as escolas municiaram-se com planos de contingência para enfrentar o vírus da gripe A, porém, as medidas de contenção podem pouco contra um vírus que, como lembrou ao PÚBLICO Gregória von Amann, especialista em Saúde Escolar da Direcção- Geral da Saúde, adora o frio e a humidade, sobretudo em espaços sobrelotados como as salas de aula.
“O regresso às aulas vai exponenciar os casos de infecção, tanto entre as crianças como entre a população em geral, mas é verdade que as crianças estão mais vulneráveis. Aliás, 80 por cento dos casos ocorreram em pessoas com menos de 30 anos”, lembrou a especialista. Até à passada quarta-feira, 13 por cento dos casos ocorreram em crianças dos zero aos nove anos de idade, 27 por cento em jovens entre os 10 e os 19 anos e 38 por cento em jovens dos 20 aos 29 anos.
Cada um dos 1,5 milhões de alunos que, entre hoje e quinta-feira, iniciam as aulas terão, logo no primeiro dia, uma aula para aprender a evitar o contágio. Aos pais serão distribuídos folhetos para os sensibilizar a tomar novas atitudes – como o não levar uma criança doente para a escola – e, segundo Paula Ferreirinha, assessora do Ministério da Educação, “todas as escolas vão abrir com o plano de contingência aplicado”. A tutela não quer colocar o cenário de ser preciso fechar alguma escola, aliás, os planos têm esse objectivo: o de evitar o seu encerramento. “A tónica tem sido na prevenção do contágio”, sublinhou.
“Nesta fase, é difícil dizermos se vamos ter ou não de fechar as escolas”, contrapõe Gregória von Amann, explicando que a ponderação será feita caso a caso. “As autoridades locais é que terão de pôr nos dois pratos da balança as vantagens e os inconvenientes do encerramento: o número de casos face à população total da escola e à epidemiologia da doença, as implicações do encerramento para os pais e para as restantes crianças que fi cam desprotegidas...”.
Além da criação de salas de isolamento e do estabelecimento de linhas de contacto directas com as autoridades de saúde, os mais de mil agrupamentos de escolas da rede pública receberam entre 600 e 2000 euros para poderem comprar os materiais necessários à contenção do vírus: de desinfectantes a gel alcoólico, passando por toalhetes e lenços de papel.
Isolamento não será fácil
No Agrupamento Vertical de Clara de Resende, no Porto, o professor responsável pelas actividades relacionadas com a gripe A, Carlos Grilo, conta que, além das salas de isolamento, as duas escolas do agrupamento irão dispor de toalhas de papel e secadores em todas as casas de banho e doseadores de desinfectante nas salas de aula e nos locais mais frequentados. “O agrupamento recebeu dois mil euros que permitiram também comprar produtos em spray à base de álcool para se poder desinfectar as mesas dos alunos nos intervalos das aulas”, acrescentou Carlos Grilo, cuja preocupação assenta na escassez de pessoal auxiliar. “Temos 30 funcionários para cerca de 1300 alunos, pelo que não vai ser fácil assegurar a sobrecarga de trabalho decorrente da gripe...”.
Em Vila Nova de Gaia, no Agrupamento Dr. Costa Matos, as preocupações também têm passado por preparar os auxiliares para fazer limpeza com mais frequência, segundo Filinto Lima, director do agrupamento. Junto dos alunos, haverá insistência para que lavem as mãos com mais frequência. Para já, os dois mil euros disponibilizados pelo Ministério da Educação chegaram para pôr o plano de contingência a funcionar. Contudo, não serão sufi cientes. “Tenho a certeza de que, para a frente, vamos pedir reforço de verbas”, diz.
Em Guimarães, a Secundária Francisco de Holanda aliou-se às outras duas secundárias do concelho para obter maior poder negocial junto dos fornecedores. “Se em vez de 30 estivermos a negociar a compra de 60 litros de desinfectante, os descontos são maiores”, ilustra Rosalinda Pinheiro, subdirectora do conselho executivo.

