Escolas de condução e ACP trocam acusações de suspeitas de corrupção

24.02.2012 - 18:05 Por José Bento Amaro
Qualidade da formação ministrada pelas empresas particulares está a ser questionada. Já existem ameaças de recurso aos tribunais.
A direcção do Automóvel Clube de Portugal (ACP) anunciou ter conhecimento de um caso de possível corrupção numa das suas escolas, situação essa que terá sido comunicada à Polícia Judiciária, que entretanto já encerrou as investigações. Esta informação, dada online, serviu de resposta ao Movimento Inovação e Compromisso que na véspera repudiara uma acusação do presidente do ACP, Carlos Barbosa, o qual dizia haver corrupção e promiscuidade nas escolas de condução portuguesas.
O coordenador do Movimento Inovação e Compromisso, David Silva, disse ontem ao PÚBLICO que as declarações de Carlos Barbosa, alegadamente insinuando que o ensino ministrado fora das escolas que não pertencem ao ACP não é de qualidade, foram insultuosas. "Se Carlos Barbosa tem conhecimento de casos de corrupção nas escolas de condução, então que as denuncie. Mas não diga que só o ACP é que é bom porque, tal como referem todos os indicadores estatísticos, a maior parte dos acidentes de viação acontecem a partir do segundo ano de carta de condução", adiantou o responsável pelo grupo de escolas de condução.
Depois das declarações de David Silva, também difundidas através de uma carta aberta, a direcção do ACP alegou que "não é correcto afirmar que o presidente do ACP tenha dito que todo o ensino é mau ou corrupto - precisamente por não o ser é que denunciamos e continuaremos a denunciar as más práticas no mercado, nomeadamente junto da ASAE e do IMTT". Apesar do ACP ter revelado já que denunciou à PJ um caso em que havia suspeitas de irregularidades ou corrupção, essa mesma situação nunca chegou a ser especificada por nenhum dos seus responsáveis.
Formação é boa
Para David Silva, "existe, há vários anos, uma tentativa de Carlos Barbosa para denegrir a imagem das escolas de condução". "A formação [de automobilistas] em Portugal é boa. As estatísticas referem que por ano são emitidas cerca de 100 mil cartas de condução. A maior parte dessas cartas são atribuídas a pessoas formadas nas cerca de 1200 escolas de condução de todo o país e não apenas nas duas ou três que pertencem ao ACP", acrescentou ainda o responsável do Movimento Inovação e Compromisso, afirmando ainda desconhecer quais os motivos que levam Carlos Barbosa a tecer críticas às escolas de condução. "Tem acontecido com regularidade e tem passado sempre sem resposta, mas desta vez entendemos que tal não poderia continuar a acontecer", disse.
O PÚBLICO tentou ainda obter de Carlos Barbosa um comentário a estas acusações, não o tendo conseguido por, de acordo com o secretariado do ACP, se encontrar incomunicável.
Já depois da resposta de David Silva, foi a direcção do ACP quem considerou estar a ser alvo de uma injusta acusação de promiscuidade efectuada pelo Movimento Inovação e Compromisso. "A acusação de promiscuidade é falsa e essa sim injuriosa, porquanto os centros de exames e as escolas de condução do ACP foram autorizados pelo IMTT e detêm os necessários alvarás, pelo que o ACP se reserva ao direito de agir em conformidade recorrendo às instâncias judiciais competentes", acrescentaram ontem à tarde responsáveis do ACP.

