Escolas da Beira Interior apresentam valores preocupantes de radão. Esta é a conclusão que um estudo do Laboratório de Radioactividade Natural da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra divulgou hoje.
O radão é um gás radioactivo que ocorre nos solos, no ar e na água e, quando presente em concentrações elevadas, pode ser um factor de risco ambiental.
O estudo foi realizado nos últimos quatro anos em escolas de vários pontos do país "para determinar a existência de gás radão nas instalações", explica Alcides Pereira, coordenador da equipa do Laboratório.
"Os valores mais preocupantes de radão foram registados, na sua maioria, em estabelecimentos de ensino localizados na Beira Interior", disse Alcides Pereira. Foram já avaliadas meia centena de escolas distribuídas pelos distritos de Vila Real, Viseu, Guarda, Coimbra e Castelo Branco.
"Em 30 por cento dos casos os valores estavam acima do limite disposto na legislação nacional sobre a qualidade do ar em edifícios públicos."
O catedrático não revelou quais as escolas onde os níveis detectados foram mais elevados. Segundo Alcides, algumas situações têm sido divulgadas pela comunicação social, sobretudo no distrito de Castelo Branco.
"Não é uma situação inesperada", admitiu o investigador, considerando que "a área do interior tem esse problema, onde as concentrações de radão são mais elevadas".
Os casos mais preocupantes "estão devidamente referenciados, os conselhos directivos das escolas sabem isso, a informação já é do conhecimento da Direcção Regional de Educação do Centro e de algumas Câmaras Municipais", disse.
Medidas podem combater a situação
O primeiro-ministro "anunciou um plano de remodelação e de construção de novas escolas". Caso as indicações sobre a existência de radão sejam tidas em conta, "o problema poderá ser resolvido, utilizando técnicas construtivas que ficariam mais baratas para o Estado do que, mais tarde, voltar a mexer nas escolas".
O trabalho contemplou as escolas das capitais de distrito. Mas o problema é geral, "a situação geológica do interior é favorável para que possam acontecer situações mais ou menos generalizadas", explica o investigador.
O investigador sublinha que o estudo "é uma amostragem, não é um rastreio sistemático". E confirma que existem soluções que já foram testadas e resultam.
Alcides Pereira recordou que há cerca de quatro anos foram detectados índices elevados de radão na Escola Secundária da Sé, na Guarda, e que o problema foi logo resolvido.
"É um bom exemplo para demonstrar", disse. As correcções podem ser feitas com a divulgação dos resultados do estudo.
Algumas das medidas apresentadas são a melhoria da ventilação ou o impedimento do gás de migrar para o interior dos edifícios com suporte em técnicas de impermeabilização. Existem ainda técnicas mais complexas.
"No caso de um edifício que se encontre em fase de projecto, o estudo geológico prévio do terreno permite aferir o potencial de risco do radão e propor medidas de correcção, se necessárias, as quais têm um custo insignificante no valor total da obra."
O estudo contou com a participação de estudantes do 12º ano de várias escolas do Ensino Secundário, integrados em trabalhos da Área de Projecto. A investigação vai prosseguir no terreno, para que possa ser feita a inventariação dos locais onde os níveis de radão são mais elevados.


