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Porto

Era um bom dia para tratar de burocracias, mas os portuenses preferiram “carnavalar”

21.02.2012 - 17:28 Por Jorge Marmelo

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Serviços municipais numa cidade que pareceu viver um dia de feriado Serviços municipais numa cidade que pareceu viver um dia de feriado (Fernando Veludo/Nfactos)
Pode conhecer-se uma cidade pelos pormenores. Pelo ruído também. E o amanhecer de hoje, no Porto, não enganava. Não se escutava o rumor do trânsito e o motivo era simples. Não havia trânsito quase nenhum nas ruas. Transeuntes também não. Os serviços públicos, sem a habitual tolerância de ponto do Carnaval, estavam a funcionar, mas a afluência era fraca. Era um bom dia para tratar de burocracias, sem filas de espera e sem enchentes. Mas nem isso demoveu a maioria dos possíveis utentes.

Era, pois, feriado na cidade, com a generalidade do comércio encerrada e os serviços municipais também de portas fechadas. Não havia distribuição postal e o Mercado do Bolhão estava fechado. Na Rua de Santa Catarina nem os habituais vendedores ambulantes se viam. Definitivamente, era feriado - um feriado um pouco diferente. Podia escolher-se entre passear à beira-mar, passar a tarde no centro comercial do costume ou ir a uma repartição pública.

“Nunca cá vimos. Mas hoje é um bom dia. É o ideal para tratar daquilo que temos para tratar”, disseram ao PÚBLICO José e Maria Mendes, dois dos pouquíssimos utentes que, cerca das 9h30, se encontravam na repartição de finanças Porto 2, na Boavista. As cadeiras estavam quase todas vazias. Às 9h25 apenas tinham sido distribuídas dez senhas para atendimento e estavam a funcionar quatro dos 15 balcões.

Menos gente ainda havia, às 9h, nos serviços da Segurança Social da Rua de António Patrício. O silêncio era sepulcral. Perto das 12h30, na repartição da Rua das Doze Casas, habitualmente cheia de gente, estavam quatro pessoas. Em ambos os serviços os responsáveis recusaram prestar quaisquer informações, fosse sobre a afluência dos funcionários, fosse relativamente à afluência de utentes. Nas Doze Casas, porém, era perfeitamente evidente que a afluência estava muito abaixo do habitual.

Os hospitais de Santo António e de S. João estavam a funcionar com aparente normalidade, já que, desde que o Governo anunciou que não concederia tolerância de ponto, as administrações procuraram preencher as agendas dos vários serviços. No S. João o bloco operatório esteve mesmo, segundo o gabinete de imprensa, a funcionar em pleno. No Santo António notava-se, durante a manhã, a afluência de “muito menos gente” do que é costume e, curiosamente, uma oficina privada de material médico existente no Jardim do Carregal estava também de portas abertas.

No Palácio da Justiça, os corredores estavam literalmente às moscas. Sem julgamentos marcados, e sem distribuição de correio, os funcionários estavam nos seus postos, aproveitando para, dentro do possível, fazer avançar a tramitação de alguns processos. A meio da manhã, algumas secções ainda não tinham recebido qualquer “cliente”. “E o telefone também não tem tocado”, acrescentou uma funcionária da secretaria-geral.

“Se isto tivesse sido programado com mais antecedência, podia-se ter planeado as coisas de outro modo. Assim, o Estado vai ter que pagar o subsídio de alimentação e, sem correio, a máquina pára e pouco se pode fazer”, explicou ao PÚBLICO um responsável da secretaria do Tribunal da Relação.

Na Loja do Cidadão do Porto, os balcões da Caixa Geral de Depósitos, da EDP e da Caixa Geral de Aposentações estiveram encerrados. Os restantes serviços estavam a funcionar, mas, segundo um responsável da Unidade de Gestão, o dia foi “muito calmo”. Em alguns balcões, como os dos serviços de identificação Criminal, das Águas do Porto ou da tesouraria da Direcção Geral de Impostos, não se via rigorosamente ninguém ao início da tarde.

Cenário idêntico podia ser constatado no Departamento do Cartão do Cidadão da Baixa do Porto, à Trindade, onde, ao final da manhã, apenas tinham acorrido 19 pessoas. “Há muito pouca gente comparativamente com o habitual”, confirmou uma funcionária.

Se, ao início da tarde, a afluência à Baixa do Porto aumentou alguma coisa, não eram, ainda, os cidadãos aproveitando o dia sossegado nas repartições. O que mais se via nas ruas era famílias que andavam a passear crianças mascaradas. Era Carnaval e nem sequer parecia mal.


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ignorâncias...convenientes!

Fomos a diversas grandes empresas tratar de assuntos e era só papelada e burocracia:abrir contas no ...

sousa

22.02.2012 12:52

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