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No Parlamento, ministra da Saúde criticou "ataques sistemáticos" ao SNS

Equipas de urgência têm de se reorganizar e consultas de especialidade são excessivas

18.06.2010 - 12:48 Por Alexandra Campos

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Ana Jorge considerou que há um consumo excessivo de consultas de especialidade em Portugal Ana Jorge considerou que há um consumo excessivo de consultas de especialidade em Portugal (PÚBLICO (arquivo))
A ministra da Saúde defendeu hoje no Parlamento que a redução de cinco por cento nas horas extraordinárias dos hospitais, uma das dez medidas preconizadas para o sector, afectará quase só os serviços de urgência - que terão de "reorganizar" as suas equipas - e garantiu que o que pediu às unidades públicas não foram "cortes cegos" mas sim uma gestão "mais eficiente". Ana Jorge considerou ainda que há "um consumo excessivo" de consultas de especialidade em Portugal e que é preciso mudar este "paradigma".

"Falar exclusivamente do que está mal é prestar um mau serviço ao SNS", avisou Ana Jorge, durante o debate de urgência sobre política de saúde convocado pelo PCP.

Logo na abertura do debate, a ministra criticou os "ataques sistemáticos" feitos ao SNS. "É preciso que aqueles que sistematicamente apresentam um panorama negro do SNS, e que nunca são capazes de valorizar o muito de bom que é feito, percebam que contribuem, ainda que porventura de forma involuntária, para colocar em causa o SNS”, avisou.

O líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, retorquiu que "quem ataca o SNS é a senhora ministra". E defendeu que os cortes preconizados em horas extraordinárias vão implicar e o encerramento de mais serviços ou a diminuição dos horários. "Era exactamente isto que estava em preparação nas urgências pediátricas de Setúbal", notou.

Ana Jorge reconheceu também que não conseguiu um acordo com os enfermeiros, que hoje estão em greve - "chegamos ao fim da etapa de negociação das questões essencialmente salariais" -, mas defendeu que ficou expresso um "clima de bom diálogo social", aguardando-se agora a próxima etapa negocial.

O deputado social-democrata Adão e Silva pôs em causa eventuais "cortes" na alimentação dos doentes. "Não era nessas gorduras que estava a pensar cortar?", ironizou. A ministra esclareceu que o que está em causa é a renegociação dos contratos de fornecimento deste serviço que é feito em regime de "outsourcing".

Quanto ao INEM, defendeu que "funciona bem" e que está disponível para atender a população quando esta necessitar.

Na parte final do debate, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Manuel Pizarro, garantiu, a propósito, que “não haverá nenhuma redução dos meios operacionais do INEM”, respondendo a várias questões dos partidos da oposição. O que aconteceu foi o contrário, sublinhou. o número de efectivos passou de 645 para 1 386, entre 2005 e 2009 e o de enfermeiros, de seis para 118.

Uma resposta que não satisfez Bernardino Soares, que recordou a existência de "milhares de enfermeiros desempregados". "A política da Saúde é cada vez mais conduzida pelo Ministério das Finanças", sentenciou.

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