A epidemia de cólera em Angola já matou 1219 das 33.776 pessoas que contraíram a doença desde Fevereiro, informou hoje a Organização Mundial de Saúde (OMS). Na semana passada estavam registadas 1156 mortes.
Só nas últimas 24 horas foram registados 590 novos casos e nove mortes, avança a organização em comunicado.
A doença está agora a ser levada para o interior de Angola, explicou Jordi Sacristan, da OMS. O alastramento da doença parece estar a ser favorecido pelos índices de pobreza e pela revitalização das infraestruturas do país.
"Este é o preço do desenvolvimento", afirmou o ministro da Saúde local, Jose Van Dunem, que também lembra as fortes chuvadas registadas no país.
"A cólera segue a água e a má saúde. Nos bairros mais pobres, algumas pessoas ainda vão buscar água a poças na berma da estrada", acrescentou.
Van Dunem pede mais e melhor educação e condições de saneamento básico para estes bairros, para combater a epidemia.
O Ministério da Saúde constituiu recentemente um grupo de trabalho – incluindo a OMS, a Unicef, a Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho, os Médicos Sem Fronteiras e os Médicos do Mundo – para definir e coordenar a resposta ao surto de cólera na província de Luanda.
Angola - que é o segundo maior produtor de petróleo da África subsariana, a seguir à Nigéria - está a ser alvo de um processo de reconstrução, promovido pelo aumento dos preços do combustível. Mas, apesar da sua riqueza petrolífera, a maioria das pessoas continua a viver diariamente com menos de um dólar (0,77 euros).
A cólera é uma doença altamente contagiosa que se transmite através da água, manifestando-se por vómitos e diarreia, que podem originar desidratação grave e, em casos extremos, a morte.


