Bastonário dos Advogados

Envolvimento de responsáveis de empresas públicas em casos de corrupção não surpreende Marinho Pinto

02.11.2009 - 21:36 Por Lusa

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“Os combates à corrupção, se é que tem havido verdadeiros combates à corrupção, falham todos”, diz o bastonário “Os combates à corrupção, se é que tem havido verdadeiros combates à corrupção, falham todos”, diz o bastonário (Daniel Rocha (arquivo))
O bastonário da Ordem dos Advogados lembrou hoje que “sempre disse” que a corrupção é um problema sério em Portugal e não se mostrou surpreendido por nos casos de alegada corrupção ultimamente divulgados aparecerem pessoas ligadas a empresas públicas.

“Não fico surpreendido com nada que acontece na Justiça em Portugal”, disse Marinho Pinto, quando confrontado com o facto de responsáveis de empresas públicas serem arguidos ou estarem referenciados em processos relacionados com corrupção, como acontece na investigação “Face Oculta”.

O bastonário dos advogados falava no final da sessão de lançamento, em Lisboa, do livro “Extraordinárias Aventuras da Justiça Portuguesa”, da jornalista Sofia Pinto Coelho, da SIC, em que esteve também presente o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, entre outras figuras do sistema judiciário.

Questionado sobre se a corrupção é um problema sério em Portugal, António Marinho Pinto foi peremptório: “Sempre o disse”. A propósito, salientou que o vice-presidente do Banco Mundial afirmou que, se não fosse a corrupção, Portugal podia ter um nível de desenvolvimento semelhante ao da Finlândia.

Instado a pronunciar-se sobre o que eventualmente tem falhado no combate à corrupção, o bastonário dos advogados referiu que “ainda não é altura de fazer esse balanço”, mas observou que “os combates à corrupção, se é que tem havido verdadeiros combates à corrupção, falham todos”.

Relativamente a haver advogados constituídos arguidos no processo “Face Oculta”, Marinho Pinto disse não fazer qualquer juízo sobre tal questão por não dispor de elementos, sublinhando porém que em todas as actividades há quem dignifique e quem não dignifique a profissão.

“A esmagadora maioria dos advogados dignifica a profissão”, acrescentou, reiterando que “sem advogados é que não há Justiça”.

A Polícia Judiciária (PJ) desencadeou quarta-feira passada a operação “Face Oculta” em vários pontos do país, no âmbito de uma investigação relacionada com alegados crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, a que está ligado o empresário Manuel José Godinho, que está em prisão preventiva.

No decurso da operação foram efectuadas cerca de 30 buscas, domiciliárias e a postos de trabalho, e 14 pessoas foram constituídas arguidas, incluindo Armando Vara, vice-presidente do Millennium BCP, José Penedos, presidente da Rede Eléctrica Nacional (REN), e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA, de Manuel José Godinho.

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