Dentro de três meses a Fundação Francisco Manuel dos Santos publica o primeiro volume de ensaios baseados nos números da base de dados estatísticas lançada hoje em Lisboa, concretizando o objectivo da instituição de melhor conhecer a realidade portuguesa.
"Por um lado os números, por outro lado as ideias" baseadas nesses números, nos dois pratos da balança da fundação, sintetiza o investigador António Barreto, que preside à Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS).
Criada há um ano pela família de Alexandre Soares dos Santos, que controla o grupo de distribuição Jerónimo Martins, a instituição tem como objectivos conhecer, estudar e divulgar estudos sobre a sociedade portuguesa, antes de serem debatidos.
A FFMS lançou hoje a Pordata, a base de dados mais completa sobre Portugal, que "não se destina a audiências restritas nem a ser mais uma base de dados estatísticos a juntar às outras", explicou António Barreto.
Trata-se de um projecto gratuito, aberto a todos, que permite cruzar dados e construir quadros personalizados, selecionando apenas os assuntos que interessam, em permanente atualização, com novos indicadores e temas.
Para António Barreto, a "grande ambição" é que a Pordata venha a ser a base de dados estatística de referência, que as pessoas citam nas discussões sobre temas económicos ou sociológicos do país, quer seja no Parlamento, quer seja no café.
Outro objetivo é aumentar a confiança dos portugueses, com a disponibilização de dados estatísticos credíveis, referiu o investigador, acrescentando que para já a Pordata contém apenas informação factual, "sem qualquer interpretação ou análise".
A nova base de dados de Portugal contemporâneo abrange diversas áreas, contém um glossário com mais de 350 conceitos e um quadro resumo que colige 80 indicadores da sociedade portuguesa, com os vários momentos censitários desde 1960, explicou Maria João Valente Rosa, responsável pelo projecto.
A Pordata está estruturada em 12 temas, cada um com sub-temas, que por sua vez se desdobram em quadros com séries estatísticas, acrescentou.
A informação disponibilizada provém de cerca de 40 fontes oficiais, sendo que 90 por cento do conteúdo do site são registos e censos.
Os únicos dados que não são absolutamente rigorosos são os contadores - de nascimentos ou óbitos, por exemplo - que se baseiam numa simulação feita com base nas médias ponderadas dos últimos anos, explicou António Barreto.
O investigador adiantou ainda que qualquer pessoa pode inscrever-se para receber alertas no e-mail sobre assuntos que lhe interessem.
Destinada a crescer para a Europa e para o interior (indicadores regionais e municipais), a Pordata para já é uma tecnologia "muito cara, mas totalmente paga pela fundação", disse António Barreto, adiantando que no final do ano será apurado o custo real deste investimento, mas que deverá rondar os 800 mil euros.


