Enfermeiros: Ministério estima adesão à greve nos 63 por cento, sindicato nos 80

12.05.2009 - 16:36 Por Romana Borja-Santos
O Ministério da Saúde estima que a adesão à greve dos enfermeiros se situe nos 63,09 por cento, de acordo com um balanço provisório disponível no site da Secretaria-Geral. Já o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses falava, ao final da manhã, em valores na ordem dos 80,23 por cento.
Dos 13.197 profissionais escalados, 8326 estão em greve. A tutela divide, ainda, os dados pelos turnos disponíveis. Dos 7168 enfermeiros escalados para o turno das 0h00 às 10h00, estiveram em greve 4420 profissionais. Já no turno das 10h00 às 16h00 os dados referentes aos centros de saúde e hospitais apontam para 3185 profissionais em greve para um total de 4579 escalados.
O secretário de Estado da Saúde lamentou hoje a realização da greve "durante um processo negocial" entre os sindicatos e o Governo, que disse "estar bem encaminhado". "Não parece que ajude muito a permanente realização de greves durante o processo", declarou Manuel Pizarro aos jornalistas, em Coimbra, citado pela Agência Lusa. O governante ressalvou, no entanto, o direito que os enfermeiros e os restantes portugueses têm de recorrer a "meios democraticamente legítimos", como a paralisação de hoje, "para defender as suas aspirações".
Esta manhã, em declarações ao PÚBLICO, a presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, explicou que os números provisórios não a surpreendem porque a classe está muito unida nas suas reivindicações. “Os enfermeiros lutam pelo que consideram justo para eles, mas também para garantirem melhores cuidados e uma enfermagem de excelência”, acrescentou Guadalupe Simões. Porque, segundo o sindicato, as actuais políticas de saúde estão a prejudicar profissionais e utentes. Ainda assim, assegurou que os enfermeiros estão a respeitar os serviços mínimos “não pondo em causa com a paralisação o que é o essencial das necessidades dos doentes em cuidados de saúde”.
Manifestação em Lisboa
A greve pretende também assinalar o Dia Internacional do Enfermeiro, que se celebra hoje. O dia fica ainda marcado pela manifestação que começou às 14h30 em Lisboa em frente ao Ministério da Saúde e que segue para a residência oficial do primeiro-ministro. O objectivo é contestar o actual processo de renegociação das carreiras destes profissionais. As duas iniciativas surgem depois de a última reunião com o Ministério da Saúde, a 7 de Maio, não ter tido resultados positivos, com a Comissão Negociadora dos Sindicatos dos Enfermeiros a acusar a tutela de ter "recuado" em algumas das propostas já acordadas entre as duas partes.
A grelha salarial dos enfermeiros continua a ser uma das grandes batalhas, a par com a não diferenciação dos contratados em relação ao resto da classe. Apesar de serem licenciados, tal como os professores ou os inspectores, a tutela propõe que recebam menos. Aos enfermeiros é proposto um ordenado de 1200 euros, enquanto os inspectores recebem cerca de 1400 e os professores 1500, referiu. O Ministério da Saúde propõe ainda dez posições remuneratórias, mas segundo a sindicalista "nenhum enfermeiro vai conseguir atingir" a proposta de topo, uma vez que "para isso são necessários 50 anos de exercício profissional", quando na realidade os enfermeiros se aposentam depois de 40 anos de serviço.
A greve, a terceira desde o início do ano, foi convocada por todas as estruturas sindicais dos enfermeiros. A anterior paralisação, no final de Abril, teve uma adesão de 77 por cento, segundo o sindicato, e de 64,5 por cento, segundo a Secretaria-Geral do Ministério da Saúde.

