Enfermeiros exigem divilgação de consultas adiadas devido aos Serviços de Atendimento à Gripe

24.09.2009 - 16:22
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) exigiu hoje que sejam divulgados os números das consultas médicas e de enfermagem adiadas nos centros de saúde devido à mobilização dos profissionais para os Serviços de Atendimento à Gripe.
Os enfermeiros defendem, em comunicado, que se "tornem públicos" os números das consultas e "outras actividades que diariamente têm vindo a ser adiadas nos centros de saúde, nomeadamente onde foram criados os Serviços de Atendimento à Gripe (SAG)".
Para o SEP, não faz sentido a criação de mais serviços de apoio à gripe face "ao número crescente de pessoas suspeitas de infecção" com a gripe A.
"Os doentes devem continuar a recorrer ao seu médico e enfermeiro de família nos serviços de saúde que habitualmente utilizam" e, depois do diagnóstico confirmado e caso a situação clínica o permita, devem ser acompanhados no seu domicílio pelos profissionais de saúde, em particular pelo enfermeiro de família, defende.
Em reunião com o SEP, na passada segunda-feira, o Ministério da Saúde (MS) reconheceu que os enfermeiros são um dos grupos profissionais que está mais sujeito ao risco de contágio e assumiu o compromisso de avaliar a possibilidade de admissão de enfermeiros no imediato para permitir a sua integração nos serviços, lê-se no comunicado.
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses reconhece o esforço que o Ministério da Saúde e a Direcção-Geral da Saúde têm vindo a desenvolver com o objectivo de criar as melhores condições que permitam dar as respostas em função das necessidades das populações.
Contudo, lembra, "a fase mais crítica ainda não aconteceu prevendo-se que essa ocorrência surja, agora, no Outono".
O MS prevê que 25 por cento dos profissionais de saúde possam vir a estar infectados, refere o SEP, considerando estes números "preocupantes tanto mais que carência de profissionais de saúde e, em concreto, de enfermeiros é uma realidade em todos os serviços de saúde, hospitais e centros de saúde e, ainda, nos cuidados continuados e paliativos".
"Num quadro previsível de pandemia de gripe é completamente inaceitável que o plano de contingência não preveja a possibilidade de contratação imediata de enfermeiros, de forma a garantir o regular funcionamento de todos os serviços", sustenta.
O SEP sublinha ainda que será "frontalmente contra a possibilidade de recrutamento de alunos de Enfermagem, ainda que do último ano da sua formação académica, para o reforço dos serviços".
"Estas pessoas, para além de ainda não terem terminado a sua formação académica, não devem ser sujeitas a riscos sejam eles de que natureza for, nomeadamente de morte", considera o SEP.

