Operação Face Oculta

Empresário de Ovar é suspeito de se ter apropriado de toneladas de fio de cobre da refinaria de Sines

03.11.2009 - 00:10 Por António Arnaldo Mesquita, Cristina Ferreira

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A retirada ilegal de fios de cobre ocorreu em Abril deste ano e o material saiu escondido entre resíduos A retirada ilegal de fios de cobre ocorreu em Abril deste ano e o material saiu escondido entre resíduos (Rui Gaudêncio (arquivo))
A Galp Energia vendeu ao empresário de Ovar Manuel José Godinho toda a sucata resultante do incêndio da Refinaria de Sines que se verificou no início deste ano, uma transacção que está na mira dos investigadores. Na altura, Godinho levou também os materiais em cobre – o que não estava previsto –- e adquiriu-os como se fossem sucata.

O mandado de busca da Operação Face Oculta faz alusão concreta à retirada de pelo menos cem toneladas de resíduos nobres, do Complexo Industrial de Sines. E avalia em cerca de 300 mil euros os cabos de cobre e quadros eléctricos levados sorrateiramente das instalações.

Esta acção ocorreu entre 22 e 24 de Abril deste ano e os investigadores apuraram que, para iludir a vigilância administrativa e/ou policial, os cabos de cobre foram cobertos por resíduos ferrosos, frisando que as empresas de Manuel Godinho apenas podiam transportar os resíduos ferrosos.

O despacho judicial da “Face Oculta” refere ainda os nomes de Antóonio Almeida Costa, quadro da GALP, e de João Manuel Tavares, chefe de armazém da Petrogal de Sines. O despacho garante que o sucateiro de OvarAveiro estaria a posicionar-se para adquirir mais sucata no parque da Galp, em Sacavém, e que terá oferecido a António Costa um Mercedes CL 65 AMG, avaliado em 300 mil euros. E entregue a Tavares dez mil euros, na véspera de se iniciar a remoção dos resíduudos do Complexo Industrial de Sines.

“Não comentamos o negócio”, disse ao PÚBLICO fonte oficial da Galp Energia, que declarou ainda que a petrolífera não se pronunciava publicamente acerca de negócios com fornecedores. Em causa estão alegadas ligações fraudulentas de quadros superiores e de técnicos da Galp a Manuel José Godinho e que visavam favorecê-lo em negócios.

Aquele negócio polémico está relacionado com a aquisição de materiais que ficaram inutilizados, na sequência de um incêndio na central eléctrica da refinaria de Sines. O incêndio deflagrou em Janeiro deste ano e atingiu a central de produção de electricidade e de vapor que alimentava o complexo industrial da refinaria de Sines da Galp Energia. Esta infra-estrutura tinha sido recuperada recentemente. O incêndio obrigou à paralisação da refinaria, que é responsável por cerca de 70 por cento da produção nacional de produtos refinados, como gasolina e gasóleo.,

Não se limitando a retirar a sucata, Godinho levou também cabos em cobre e os painéis de electricidade, parte dos quais se encontrava em boas condições. Os responsáveis admitem que Godinho tenha retirado das instalações da Galp em Sines cerca de 100 toneladas por menos de 300 mil euros. Segundo o PÚBLICO apurou, a petrolífera não só vendeu os materiais ao preço da sucata, como foi obrigada a investir novamente para os repor. A operação de recolha dos materiais vendidos como sucata (degradados e para posterior reutilização) decorreu no primeiro trimestre do ano.

Os investigadores da Face Oculta já recolheram depoimentos na Galp.na Galp.José Penedos, presidente do Conselho de Administração da REN –- Redes Energéticas Nacionais, foi constituído arguido, ao fim da tarde de ontem, comunicou a empresa à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários CMVM). Penedos, recorde-se, estava em Madrid, quando a Polícia Judiciária realizou cerca de 30 buscas a domicílios e postos de trabalho de 12 arguidos sob investigação.

O comunicado da REN diz que o gestor está disponível para “colaborar com as autoridades judiciárias”, e “confiante no rápido apuramento da verdade”. A administração da REN, anuncia ter ordenado uma auditoria externa “a todos os actos praticados” no contexto das relações contratuais entre a empresa e o grupo de Manuel Godinho, de âmbito mais alargado do que a investigação judicial. E refere que ainda “não identificou internamente” violação das normas legais.

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Leandro Coutinho

Recuem.. recuem mais no tempo.. há imensa gente que conhece esse sucateiro desde há ...

Leandro Coutinho

03.11.2009 00:42

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