Empresa que comercializa Depuralina em Portugal considera que processo de suspensão foi mal conduzido

28.04.2008 - 16:51 Por Lusa
O director técnico de uma das duas empresas que comercializa em Portugal o suplemento dietético alimentar Depuralina considera que o processo de suspensão do produto, entretanto reposto no mercado, foi mal conduzido, levando a que em Abril 100 mil embalagens tenham ficado por vender.
Ricardo Leite, director técnico do DietLab, contestou hoje, em conferência de imprensa, o procedimento que levou à suspensão do produto, "a mediatização do caso e outras situações que não são comuns numa tomada de posição como esta". "Acompanhei vários processos de recolha de mercado e nunca se faz da forma como foi feita", criticou o responsável.
Ricardo Leite recusou-se a falar em "discriminação", mas defendeu que procedimentos como os tomados no caso da Depuralina "têm de ser revistos e, se não existem, têm de ser implementados". "Não é a forma de tratar as empresas, nem o produto, nem tão pouco os consumidores", acrescentou.
O director técnico do DietLab adiantou que a empresa previa ter comercializado durante este mês 100 mil unidades do produto, que chega ao consumidor com um custo final entre os 25 e os 27 euros por embalagem.
Rogério Alves, advogado que representa a DietLab neste processo, indicou que "neste momento, não está tomada nenhuma decisão sobre se sim ou não irão ser tomadas providências judiciais, porque ainda não se conhece o processo na sua integralidade". Segundo o causídico, "a decisão poderá ocorrer nos primeiros dias de Maio".
"Temos de analisar a conduta do poder público e analisar também o prejuízo que essa conduta, na parte em que não haja sido lícita, haja causado à comercialização do produto", afirmou, salientando que a decisão dependerá da análise de "se, quando agiram, as autoridades agiram da forma, no prazo e com as precauções que deveriam ter tomado e se efectivamente respeitaram o princípio da proporcionalidade".
Ricardo Leite lamentou, por outro lado, que o director-geral da Saúde, Francisco George, tenha dito em público desaconselhar o consumo de suplementos alimentares, "quando é a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) que aconselha e recomenda o consumo de suplementos alimentares e produtos à base de plantas como um dos meios que as pessoas têm à disposição, económico e seguro, para promover a saúde".
"Lamentamos que o director-geral da Saúde ainda não tenha vindo a público referir que, afinal de contas, as pessoas que estavam a tomar Depuralina podem voltar ao seu consumo regular, até porque os ensaios, análises e avaliações determinaram a sua segurança e ausência de toxicidade", sustentou o responsável, afirmando não compreender "como a Direcção-Geral da Saúde em Portugal consegue ir contra aquilo que recomenda a OMS".
Depuralina pode voltar ao mercado
A venda de Depuralina foi suspensa a 1 de Abril por decisão de autoridades sanitárias depois do conhecimento de três casos suspeitos, dois de alergia a elementos da composição do suplemento alimentar e um de toxicidade no fígado, que não foi confirmado nos testes de controlo. Posteriormente, surgiram mais seis casos de alegada alergia ao produto.
Na passada quinta-feira, o ministro da Agricultura, Jaime Silva, explicou que a venda de Depuralina foi de novo autorizada após a realização de duas análises em laboratórios diferentes. Os resultados das análises indicam "um nexo de causalidade" entre o consumo de Depuralina e reacções de foro alérgico ao produto por parte de pessoas que são alérgicas a elementos que fazem parte da composição do suplemento alimentar.
Jaime Silva referiu, no entanto, que a empresa distribuidora do produto não vai ter direito a qualquer indemnização, porque a suspensão está prevista na legislação, embora tenha que ser "célere", e salientou ter sido a "primeira vez" que um suplemento alimentar foi suspenso em Portugal.

