Efectivos da PSP e GNR prometem recorrer aos tribunais contra o Governo

28.09.2011 - 20:08 Por José Bento Amaro
Milhares de efectivos da PSP e da GNR prometem inundar os tribunais com participações contra o Governo, a quem acusam de incumprimento dos respectivos estatutos profissionais, situação que leva ao não pagamento por igual de pessoal com o mesmo posto. Esta foi a principal mensagem deixada pelos cerca de 1500 profissionais das forças de segurança que nesta quarta-feira se manifestaram em frente à Assembleia da República, em Lisboa.
Foi como se o tempo recuasse e parasse novamente nos primeiros e inflamados anos que se seguiram a 1974, após a revolução de Abril. As músicas de intervenção de Sérgio Godinho remoçaram e do fundo do baú da memória saltaram chavões feitos - “Os polícias unidos jamais serão vencidos” e “Paga o que deves, Governo paga o que deves”.
À PSP e GNR juntaram-se também a Polícia Marítima, a ASAE e a Guarda Prisional. O SEF não apareceu, dizendo os seus responsáveis que estão solidários com os manifestantes, mas que ainda acreditam nos resultados do diálogo com o Governo.
De outros sindicatos policiais vieram associados e mensagens de apoio, para além de diversos pedidos para futuras acções consertadas entre todos os sindicatos. Essa união foi, de resto, aludida na meia dúzia de intervenções dos Homens da Luta. Gel e Falâncio, de viola e megafone, fardados a preceito, foram dos primeiros a inflamar os manifestantes.
“Mas que Estado de Direito é este que não paga porque alega não ter dinheiro, mas que está sempre pronto a punir quem não pode pagar por também não ter condições para o fazer?”, interrogou-se Domingos Chaves, oficial da PSP e sindicalista desde os tempos em que os polícias se reuniam em segredo para reivindicarem direitos.
Entre uma algazarra imensa que não poupou políticos actuais nem de anteriores governos, os sindicalistas em representação da Comissão Coordenadora Permanente das Forças de Segurança (CCPFS) desvalorizaram o anúncio feito pelo ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, que acenou com cerca de 1,8 milhões de euros.
“O Governo não está a dar nada. Está apenas a devolver uma parte daquilo que retirou aos polícias. Está a devolver uma parte que pertence aos polícias mas que nunca foi da Polícia [neste caso da PSP]”, retorquiu o presidente da (CCPFS), Paulo Rodrigues.

