Eduardo Barroso demite-se da Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação

25.02.2008 - 15:36 Por Lusa, PÚBLICO
O presidente da Autoridade para os Serviços de Sangue e da Transplantação (ASST), Eduardo Barroso, anunciou hoje publicamente a sua demissão do cargo durante o programa "Sociedade Civil", da RTP2, uma decisão que já apresentou, no final da semana passada, à ministra da Saúde.
O pedido de demissão do cirurgião foi apresentado à ministra da Saúde, Ana Jorge, através de uma carta entregue no final da semana passada, mas hoje, em directo, durante o programa da estação de televisão pública, Eduardo Barroso fez o anúncio público do seu afastamento.
Fonte do gabinete da ministra adiantou à Lusa que Eduardo Barroso se manterá em funções até ser substituído. A mesma fonte não adiantou quem irá substituir o responsável demissionário.
A demissão de Eduardo Barroso surge depois da polémica levantada sobre o pagamento, em 2007, de 23 milhões de euros a médicos e hospitais, ao abrigo do sistema de incentivos ao transplante de órgão criado na década de 90. Segundo o "Diário de Notícias", Eduardo Barroso recebeu em Novembro do ano passado, enquanto médico da unidade de transplantação do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, 30 mil euros, na sequência da realização de 23 transplantes.
Também a revista "Visão" referiu que entre a equipa de enfermagem do Curry Cabral só alguns recebem incentivos e acrescentou que as equipas de transplantes renais e do coração dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) "nunca receberam um cêntimo".
Mais tarde, Eduardo Barroso afirmou que as notícias publicadas "ofenderam" a sua "dignidade pessoal", considerando que foi "um ataque inaceitável, feito de má-fé e encomendado". "Os incentivos são legais e não é pelo facto de estarem escondidos que eram uma vergonha. Aceitei-os com muito orgulho", sublinhou, considerando que são fundamentais para os médicos terem disponibilidade total, trabalharem 20 horas seguidas e irem buscar os órgãos a qualquer lado.
Eduardo Barroso fez essas declarações quando, a propósito de outro tema, foi ouvido na Comissão Parlamentar de Saúde, a 13 de Fevereiro.
Na altura, anunciou que ia propor ao Governo uma nova lei mais "equitativa" que estabeleça tectos máximos para os incentivos aos transplantes, que considerou fundamentais. "É preciso garantir os incentivos e dar-lhes equidade a nível nacional" e fixar tectos máximos para os profissionais envolvidos no processo de transplantação, afirmou Eduardo Barroso na comissão.
A ASST tem por missão "fiscalizar a qualidade e segurança da dádiva, colheita, análise, processamento, armazenamento e distribuição de sangue humano e de componentes sanguíneos, bem como garantir a qualidade da dádiva, colheita, análise, manipulação, preservação, armazenamento e distribuição de órgãos, tecidos e células de origem humana".

