Duas anomalias na estrutura metálica provisória apontadas como causas prováveis de colapso de viaduto

23.09.2009 - 21:26
Um relatório do Instituto Superior Técnico aponta como causas prováveis para o colapso do viaduto da Fanadia, que vitimou quatro operários e feriu outros 12, duas possíveis anomalias da estrutura metálica provisória de suporte do tabuleiro (cimbre).
O relatório foi divulgado hoje durante uma sessão do julgamento que envolve treze técnicos da obra, a maioria engenheiros civis, acusados do crime de infracção das regras de construção.
Os arguidos trabalhavam em três das várias empresas do consórcio contratado para a empreitada do viaduto da A15, sobre o Rio Fanadia e são acusados pelo Ministério Público (MP) de irregularidades de construção, que causaram a morte a quatro trabalhadores e deixaram outros doze feridos, na sequência do colapso do viaduto, que estava em construção sobre o Rio Fanadia, em São Gregório, Caldas da Rainha.
O relatório a que a Lusa tece acesso, conclui que “as duas anomalias mais prováveis de terem ocorrido” e que poderão ter causado o colapso são “um assentamento diferencial da fundação excedendo a capacidade de redistribuição do cimbre” e “uma deficiência localizada no elementos do cimbre ou na sua montagem”.
As conclusões vêm ao encontro da acusação que sustenta que o acidente ocorrido a 19 de Janeiro de 2001 foi provocado por “assentamentos diferenciais” na montagem das estruturas da parte metálica provisória de suporte do tabuleiro do viaduto (“cimbre”), as quais apresentavam “desníveis em relação ao solo”.
O colectivo de juízes presidido por Rui Alexandre emitiu hoje um despacho de notificação dos peritos autores do relatório para responderem a objecções e dúvidas dos intervenientes no processo e a questões suscitadas pelo Procurador da República.
O julgamento iniciado em Março e que conta já com mais de 40 sessões, envolve para além dos arguidos, 17 advogados e mais de 200 testemunhas.
A audição de peritos vai prosseguir a 12 de Outubro e, após a recolha de toda a prova pericial serão ouvidas as testemunhas de defesa, decorrendo, a partir de Novembro, quatro sessões de julgamento por semana.

